Impacto da Guerra na Ucrânia transforma o mercado de diesel no Brasil

O conflito entre Rússia e Ucrânia alterou significativamente as importações de diesel no Brasil, com o combustível.
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A guerra entre Rússia e Ucrânia teve um impacto profundo no mercado de combustíveis brasileiro. Desde o início do conflito em 2022, o diesel russo passou a ser cada vez mais importado pelo Brasil, alterando a dinâmica do setor e favorecendo empresas menos conhecidas. A participação de grandes companhias tradicionais diminuiu, conforme informações recentes.

Antes do início da invasão russa, os Estados Unidos eram os principais exportadores de diesel para o Brasil. Contudo, as sanções econômicas impostas por Estados Unidos, União Europeia e Reino Unido levaram a Rússia a oferecer petróleo e derivados com descontos significativos para países que não aderiram às restrições, incluindo o Brasil. Em determinados momentos, o diesel russo foi comercializado com um desconto de até US$ 35 por barril em relação ao Brent, tornando a importação vantajosa para empresas dispostas a explorar esse mercado.

Os efeitos dessa mudança foram rápidos. Em 2021, apenas 0,2% do diesel importado pelo Brasil tinha origem russa. No entanto, em 2024, essa participação saltou para 65%, consolidando a Rússia como a principal fornecedora de diesel ao país. Dados do Centre for Research on Energy and Clean Air (CREA) indicam que, durante a guerra, o Brasil importou aproximadamente US$ 26 bilhões em derivados russos, com cerca de US$ 3,7 bilhões apenas no primeiro semestre de 2026, representando 63% das importações brasileiras de diesel.

Essa reconfiguração do mercado permitiu que empresas antes com pouca representatividade, como Nimofast, Refit, Atem, Royal FIC, Cia Petro e Sul Plata, aumentassem sua participação e disputassem espaço com distribuidoras tradicionais. Enquanto isso, grandes empresas com presença internacional adotaram uma abordagem mais cautelosa em relação ao cenário geopolítico e às exigências de compliance de bancos e investidores.

A Petrobras, apesar de continuar relevante, viu sua posição alterada. Com o passar dos meses, a dinâmica do setor enfrentou novas mudanças. Ataques ucranianos a refinarias russas diminuíram a capacidade de produção de combustíveis na Rússia, impactando a oferta de diesel para exportação. Além disso, alterações na política de preços da Petrobras, mudanças tributárias e o avanço das investigações no setor reduziram as vantagens que impulsionaram o mercado nos primeiros anos do conflito.

A Associação Brasileira dos Importadores de Combustíveis (Abicom) relatou que, em julho de 2026, a participação do diesel russo nas importações brasileiras caiu para cerca de 17%, o que levou distribuidoras a reavaliarem suas compras e a retomarem fornecedores tradicionais, especialmente dos Estados Unidos. Apesar dessa desaceleração, especialistas acreditam que a guerra provocou mudanças permanentes no setor. Além de modificar a origem do diesel durante grande parte do conflito, o cenário internacional também redesenhou o perfil dos principais importadores, criando oportunidades para uma nova geração de empresas em um dos mercados mais estratégicos da economia brasileira.

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