Em janeiro, um adolescente matou brutalmente um cachorro, provocando indignação em todo o Brasil. O caso foi amplamente coberto pelas redes sociais e o mercado. No entanto, recentemente, uma senhora de 82 anos foi morta com dezenas de pauladas e asfixia, no Paraná. Tratava-se de uma freira, cujo objetivo era fazer o bem e rezar por terceiros.
A morte da freira foi uma das coisas mais brutais e sem sentido que vimos nos últimos anos no país. O assassino foi preso em seguida e disse ter cometido o assassinato porque 'vozes em sua cabeça' assim mandaram. Ele está com 38 anos agora e logo será solto.
A morte do cão moveu muito mais indignação e disposição para a mudança na legislação do que o assassinato da freira. Não houve nenhum grupo a se levantar para defender a dignidade da religiosa e fazer justiça por sua memória. A seletividade moral entre esses dois fatos é extremamente chocante.
É óbvio que a vida de um ser humano, de um inocente humano, a dignidade humana, deve ser mais protegida e despertar mais indignação quando violada do que a de um animal. Eu acredito na hierarquia ontológica dos seres.

