O ministro André Mendonça, integrante do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou que a Polícia Federal inicie investigações sobre como informações sigilosas relacionadas a Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha, foram divulgadas à imprensa. Essa decisão foi tomada na quinta-feira (20) em resposta a um pedido da defesa do filho mais velho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que atualmente é investigado em três inquéritos por suspeitas de tráfico de influência.
Na análise do pedido, Mendonça destacou a necessidade de apurar a origem dos vazamentos, sem direcionar a investigação para os jornalistas ou os veículos de comunicação que publicaram as reportagens. O foco será identificar quem dentro das investigações violou a obrigação de manter os dados sob sigilo ou quem teria utilizado meios ilegais para acessá-los.
O ministro mencionou que diversas reportagens trouxeram à tona mensagens de aplicativos, trechos de documentos policiais e informações que eram parte de procedimentos protegidos por sigilo. Para Mendonça, a autorização judicial para a quebra de sigilo durante uma investigação não implica que o conteúdo se torne de domínio público. Aqueles que têm acesso a tais informações continuam obrigados a preservá-las.
Mendonça enfatizou que a investigação da PF deve se concentrar na possível identificação de indivíduos que deveriam ter mantido o sigilo e não naqueles que, no exercício legítimo da profissão jornalística, tiveram acesso indireto às informações que não deveriam ter sido publicadas. Ele deixou claro que a apuração não visa atingir a imprensa, mas sim garantir a integridade dos dados sigilosos.
As investigações estão ligadas a um possível esquema de influência em favor de Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”, que é acusado de tentar facilitar negócios com o governo federal, incluindo o Ministério da Saúde. Conversas entre Roberta Luchsinger e Lulinha indicam que ele evitava exposição direta, mas participava pontualmente de negociações.
As mensagens revelam que Roberta esperava receber R$ 100 milhões em 2024, evidenciando a expectativa de lucros expressivos com as negociações. A apuração determinada por Mendonça visa agora identificar a origem dos vazamentos e verificar se houve violação das normas de preservação do material sigiloso utilizado nas investigações.