Na última quinta-feira (28), o Jornal Nacional, da TV Globo, dedicou 11 minutos e 58 segundos de sua programação à recente decisão do governo dos Estados Unidos, que classificou o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas. A cobertura foi estruturada em duas reportagens distintas, sendo a primeira delas responsável por explicar o anúncio feito pelo Departamento de Estado americano, que incluiu as facções na categoria de "Terroristas Globais Especialmente Designados" a partir de 28 de maio, e a de "Organizações Terroristas Estrangeiras", que entra em vigor em 5 de junho.
O governo dos Estados Unidos considerou o PCC e o Comando Vermelho como algumas das organizações criminosas mais violentas do Brasil. A avaliação do Departamento de Estado destaca que esses grupos possuem milhares de membros e realizam "ataques brutais" contra policiais, autoridades e civis, além de afirmar que suas atividades se estendem para além das fronteiras brasileiras, alcançando outros países da América do Sul e também o território americano.
A decisão dos EUA foi anunciada poucos dias após uma reunião entre o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que é pré-candidato à Presidência da República, e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Em declarações a jornalistas, Flávio Bolsonaro afirmou ter solicitado diretamente a Trump que PCC e CV fossem reconhecidos como organizações terroristas, enfatizando que essa classificação era justa. No entanto, o governo americano não confirmou se houve qualquer relação entre a reunião e a decisão tomada.
A reportagem do Jornal Nacional também destacou a reação do governo brasileiro, que se opõe à classificação das facções como organizações terroristas. O Planalto argumenta que PCC e Comando Vermelho não se enquadram na definição prevista pela legislação nacional, alegando que suas motivações não se ajustam ao conceito de terrorismo.
Em março, durante uma visita a Washington, o senador Marco Rubio já havia indicado a intenção dos Estados Unidos de classificar as facções brasileiras como organizações terroristas. Dois meses depois, representantes do governo brasileiro manifestaram oficialmente sua discordância em relação a essa medida, durante um encontro em Brasília com uma delegação americana liderada por David Gamble, chefe interino de coordenação do Departamento de Sanções dos Estados Unidos.
O governo brasileiro expressa preocupação com as potenciais consequências que essa classificação pode acarretar para instituições financeiras nacionais. De acordo com a legislação americana, empresas e bancos podem enfrentar sanções caso mantenham relações financeiras com organizações consideradas terroristas, mesmo que não tenham conhecimento direto de tais ligações.

