Herik Ferreira Soares, um brasileiro de 23 anos, foi capturado por forças russas durante o conflito na Ucrânia. Natural de Castanhal, no Pará, ele declarou em um vídeo que foi atraído para a guerra por meio de uma promessa de trabalho que não se concretizou. Ao contrário do que lhe foi informado, Herik foi enviado para a linha de frente, onde se deparou com intensos combates, contrariando a expectativa de atuar em funções de apoio.
Em sua gravação, Herik expressou seu descontentamento, afirmando que deixara o Brasil acreditando que não participaria ativamente dos conflitos. "Eles mentiram para mim e me enviaram para a linha de frente, para um confronto intenso. Não era isso que tinham prometido", relatou. O jovem ainda afirmou que muitos estrangeiros, incluindo brasileiros, colombianos, peruanos e argentinos, estão sendo utilizados como mão de obra descartável nas hostilidades.
A situação de Herik é alarmante, e ele compartilhou um apelo emocionado à sua mãe, reconhecendo o erro de ter retornado à Ucrânia após uma visita ao Brasil no ano anterior. "Mãe, me perdoa por não ter escutado o que a senhora disse e por ter voltado para esse inferno", disse, aconselhando outros a não abandonarem suas famílias em busca de dinheiro em um conflito que não lhes pertence.
Na mesma gravação, Herik enfatizou que os riscos envolvidos na participação no combate superam qualquer promessa de remuneração. "Não compensa vir atrás de dinheiro sujo, um dinheiro que não vale a pena. Não deixe a segurança da sua família para participar de uma guerra que não é sua", alertou.
A captura de Herik foi confirmada pelo Itamaraty no dia 24, quando o ministério informou que a assistência a brasileiros envolvidos em forças armadas estrangeiras apresenta particularidades jurídicas relacionadas ao alistamento e às condições de guerra. O Ministério das Relações Exteriores reiterou a recomendação para que cidadãos evitem se envolver em conflitos no exterior.
Esse incidente ocorre em um contexto de crescente preocupação sobre o recrutamento de brasileiros para guerras. Em um comunicado emitido em fevereiro, o Itamaraty revelou que 22 brasileiros morreram e 44 estão desaparecidos desde o início do conflito, além de alertar sobre possíveis limitações na assistência consular.

