Julgamento de Henry Borel: laudo pericial descredencia versão de acidente doméstico

O laudo apresentado no tribunal, que revela detalhes sobre a morte de Henry Borel, refuta a hipótese.
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Henry Borel Medeiros foi levado ao Hospital Barra D’Or já sem vida e apresentando sinais de sofrimento prolongado na madrugada de 8 de março de 2021. Durante o quinto dia do julgamento dos réus, o perito do Ministério Público, Luiz Carlos Leal Prestes, trouxe à tona detalhes alarmantes sobre a morte do garoto. A temperatura de 34°C, medida no corpo da criança no momento da chegada à emergência, sugere que ele faleceu entre duas e três horas antes do atendimento médico.

A análise necroscópica indicou um rasgo no fígado que provocou um sangramento significativo, mesmo enquanto o coração do menino ainda batia. O especialista, ao se dirigir ao júri, refutou de maneira contundente a narrativa de queda de cama apresentada pela defesa. Segundo ele, essa versão é uma “fantasia jurídica”, uma vez que Henry apresentava múltiplos machucados em diferentes partes do corpo, além de um inchaço cerebral resultante de agressões severas à cabeça.

O médico esclareceu que as lesões observadas foram separadas das marcas deixadas pelo procedimento médico de reanimação. Os arranhões na boca e no nariz foram causados pela inserção de tubos de oxigênio na UTI, enquanto os demais traumas internos eram resultado de agressões diretas. O perito enfatizou que a criança agonizou por um longo período e sofreu intensas dores antes de perder a consciência no apartamento localizado na Barra da Tijuca.

A mãe do garoto, Monique Medeiros Costa e Silva, passou mal durante a sessão e deixou o plenário do Tribunal de Justiça por volta das 10h20. A situação se agravou quando imagens das feridas internas de Henry foram exibidas, fazendo com que a ré se descontrolasse emocionalmente. A juíza responsável pelo caso autorizou sua retirada para um ambulatório, onde ela recebeu cuidados sob efeito de sedativos.

O julgamento do ex-vereador Jairo Souza Santos Júnior, conhecido como Jairinho, e de Monique Medeiros ocorre após uma sessão anterior ter sido interrompida em março. Naquela ocasião, os advogados de Jairinho abandonaram o fórum após a negativa de novos exames nos computadores apreendidos. O Ministério Público acusa o padrasto de ser responsável pelas agressões fatais e a mãe por não ter protegido a criança de forma adequada.

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