O presidente Luiz Inácio Lula da Silva, candidato à reeleição nas eleições de outubro, voltou a defender seu filho, Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha, nesta quinta-feira (27). O filho do presidente está sendo investigado pela Polícia Federal por suposto tráfico de influência. Em entrevista ao Jornal Nacional, da TV Globo, Lula destacou que, até o momento, não existem acusações formais contra Lulinha e classificou as suspeitas como "ilações tiradas de um telefonema".
Durante a entrevista, Lula enfatizou sua posição como pai e presidente, afirmando: "Não sou do Ministério Público, não sou delegado, não sou juiz. Sou presidente da República e pai do Fábio. Se o Fábio cometeu qualquer ilícito, ele tem que pagar como qualquer cidadão". O presidente também expressou sua indignação em relação ao uso de diálogos telefônicos como base para as investigações, chamando a lobista Roberta Luchsinger, que é investigada junto a Lulinha, de "pilantra".
Lula questionou: "O que uma 'pilantra' pode fazer num telefone ou um cara qualquer pode fazer num telefone? Estou dizendo para você que o fato de ter pego conversa num telefone não justifica absolutamente nada". O presidente afirmou estar "muito tranquilo quanto presidente" e garantiu que não irá interferir nas apurações realizadas pela Polícia Federal.
As investigações que envolvem Lulinha e Roberta Luchsinger estão em tramitação no Supremo Tribunal Federal (STF). Elas apuram se o filho do presidente esteve envolvido em negociações e negócios relacionados ao governo federal. Segundo a Polícia Federal, Roberta Luchsinger afirmava representar Lulinha ao declarar: "Eu sou o Fábio", e manifestava interesse em obter 20% da remuneração sobre as vendas de produtos ao governo.
A PF também alega que Lulinha tentou estabelecer contratos com o Ministério da Saúde para a venda de medicamentos à base de cannabis, totalizando R$ 627 milhões. O filho do presidente é alvo de três inquéritos distintos na Justiça. Lula reiterou que, caso seu filho seja convocado, ele deve prestar esclarecimentos. "Se tiver que vir prestar depoimento, ele prestará depoimento. Ele sabe o que tem que fazer, ele tem que provar a inocência dele, e eu tenho certeza que ele vai ser inocente".