Medida de Trump busca reduzir preços da carne bovina nos EUA

O presidente Donald Trump assinou uma proclamação que amplia a importação de carne bovina nos Estados Unidos,.
WhatsApp
Facebook
Twitter
Print

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, tomou uma medida significativa para enfrentar a inflação relacionada ao preço da carne bovina. Na quarta-feira, 26, ele assinou uma proclamação que permite a entrada temporária de aparas magras de carne bovina no país com tarifas reduzidas dentro da cota de importação. O intuito da ação é aumentar a oferta e, assim, aliviar os custos da carne moída para os consumidores americanos.

Em sua declaração, Trump reconheceu o papel fundamental dos pecuaristas na produção de alimentos e ressaltou que os Estados Unidos, sendo os maiores consumidores e importadores de carne bovina do mundo, enfrentam um aumento excessivo nos preços. A nova medida acrescentará 300 mil toneladas métricas à cota tarifária, o que equivale a mais de 660 milhões de libras ou cerca de 299 mil toneladas. A liberação da cota terá início em 1º de setembro e se estenderá por 90 dias, sendo dividida em três lotes de 100 mil toneladas cada.

No entanto, a decisão gera um dilema político. Embora a intenção de Trump seja reduzir os preços para os consumidores, a iniciativa pode afetar negativamente seus aliados tradicionais, os pecuaristas. A American Farm Bureau Federation, uma das principais organizações agrícolas do país, expressou sua oposição à medida. O presidente da entidade, Zippy Duvall, alertou que a entrada de carne estrangeira pode prejudicar a recuperação do setor pecuário americano, especialmente em um momento em que os produtores estão se esforçando para recompor seus rebanhos.

Outras organizações, como a Livestock Marketing Association e a National Cattlemen's Beef Association, também manifestaram preocupação com a decisão. A entrada de grandes quantidades de carne importada no mercado pode reduzir os preços pagos aos pecuaristas, desencorajando-os a investir na expansão de suas operações.

O governo americano afirma que a estratégia busca equilibrar a proteção ao consumidor no curto prazo e a recuperação da pecuária nacional no médio prazo. Contudo, o sucesso dessa abordagem dependerá da capacidade dos pecuaristas de restabelecer seus rebanhos, um fator que não pode ser controlado apenas por uma ação presidencial.

Um aspecto adicional que preocupa os pecuaristas é que, de acordo com a Farm Bureau Federation, cerca de 70% dos bezerros nascidos na primavera são comercializados entre setembro e novembro, período coincidente com a nova cota. A entidade teme que a oferta de carne importada mais barata durante essa janela de comercialização pressione ainda mais os preços recebidos pelos produtores locais.

PUBLICIDADE

Relacionadas: