Em um evento realizado no Conselho das Américas na última quinta-feira, 20, o presidente Javier Milei responsabilizou a legalização do aborto pela diminuição do número de nascimentos na Argentina. Ele destacou que essa medida teria consequências prejudiciais para o crescimento demográfico do país.
Milei mencionou que a Argentina não está alcançando níveis de natalidade adequados para garantir a reposição populacional. "Estamos pagando um preço muito alto", afirmou o presidente, enfatizando sua preocupação com a situação demográfica.
Ao abordar a legislação que permite a interrupção da gravidez, o presidente disse que "essa paixão por matar crianças no útero também está nos custando caro em termos de crescimento". Ele ainda acrescentou que não iria mencionar os impactos no sistema previdenciário, sugerindo que a situação pode ter efeitos mais amplos.
A interrupção voluntária da gravidez foi legalizada na Argentina em janeiro de 2021, permitindo que gestantes realizem o procedimento gratuitamente pelo sistema público até a 14ª semana de gestação. Após esse prazo, o aborto é permitido apenas em casos de estupro ou risco à vida e à saúde da mulher.
Contrariando as declarações de Milei, a redução na taxa de natalidade do país já havia sido observada antes da mudança legislativa. Dados do Ministério da Saúde indicam que essa queda começou em 2014, alinhando-se a uma tendência global. Atualmente, a média de filhos por mulher na Argentina é de 1,4.
Globalmente, a taxa média de fecundidade é de 2,2 filhos por mulher, enquanto na década de 1960 essa média era de 5,3. O Fundo de População das Nações Unidas (Unfpa) alertou no ano passado sobre uma crise internacional de fertilidade, que está relacionada a fatores como pressões socioeconômicas, desigualdade de gênero e incertezas sobre o futuro.