O ex-ministro da Justiça, Anderson Torres, atualmente preso no 19º Batalhão da Polícia Militar em Brasília, enfrenta um novo capítulo em sua trajetória judicial. A Polícia Federal reabriu um inquérito para investigar a criação irregular de pássaros, que já havia sido arquivado pela Justiça. Essa nova ação se baseia em um relatório elaborado pelo mesmo fiscal do Ibama que atuou na investigação anterior.
A primeira investigação teve início em 2023, após a PF realizar buscas na residência de Torres, onde foram encontrados 55 pássaros. A partir dessa descoberta, a Polícia Federal deu início a um processo por crime ambiental. No entanto, em abril de 2024, o Ministério Público Federal concluiu que não havia provas suficientes para comprovar a prática de crime por parte de Anderson Torres, levando o juiz da 10ª Vara da Justiça Federal, Ricardo Augusto Soares Leite, a arquivar o inquérito em maio de 2024.
Enquanto as aves estiveram sob a custódia do Ibama, 16 delas morreram, fato que gerou controvérsia e questionamentos sobre a responsabilidade do órgão. O ex-ministro sempre defendeu que possuía autorização para manter a criação de pássaros, resultando na suspensão de autos de infração que haviam sido aplicados por um fiscal do Ibama, além de determinar a devolução dos animais. Em julho de 2025, o desembargador federal Newton Ramos, do Tribunal Regional Federal da 1ª Região, impôs uma multa diária de 2.000 reais ao Ibama, caso o órgão não comprovasse a devolução das aves e das gaiolas. Posteriormente, em dezembro de 2025, a penalidade foi elevada para 3.000 reais diários por descumprimento das ordens judiciais, com uma multa adicional de 5.000 reais por “ato atentatório à dignidade da Justiça”.
No dia 27 de abril, a PF foi até o Batalhão da Polícia Militar para ouvir Anderson Torres sobre os mesmos fatos investigados anteriormente. A diferença, neste momento, é que a nova investigação se fundamenta em um relatório que, curiosamente, foi elaborado pelo mesmo fiscal que esteve envolvido no processo anterior.
A defesa de Torres considera a reabertura do inquérito uma manifestação de perseguição política, argumentando que o servidor do Ibama que elaborou o novo relatório havia sido candidato a deputado pela coligação Rede/Psol em Brasília, embora não tenha sido eleito. A situação levanta questões sobre a imparcialidade da investigação e os motivos por trás da nova ação da Polícia Federal, evidenciando as tensões políticas em torno do ex-ministro.

