A percepção sobre a democracia liberal, que antes era vista como um sistema de diversidade, tem mudado. Atualmente, muitos acreditam que essa forma de governo SE tornou um mecanismo de unificação, promovendo a homogeneização de opiniões e comportamentos.
Na Alemanha Oriental, o Muro de Berlim era descrito como uma "barreira de proteção antifascista", ocultando suas verdadeiras intenções de impedir a fuga de cidadãos. Hoje, embora muros de concreto não sejam mais erguidos, um novo projeto de lei na Alemanha sugere a construção de barreiras ideológicas de forma mais sutil e sofisticada, promovido pela ministra da Habitação, Desenvolvimento Urbano e Construção, Verena Hubertz.
A proposta SE apresenta como uma reforma no Direito Urbanístico, ampliando o direito de preferência dos municípios. Isso permitirá que as autoridades intervenham em transações imobiliárias ao considerarem que o comprador representa uma ameaça à "ordem democrática". Dessa maneira, o Estado poderá substituir o comprador sem a necessidade de prova de crime, apenas com a suspeita de "tendências anticonstitucionais".
A formulação desse critério é ampla, o que possibilita que conveniências políticas sejam acomodadas. Isso é semelhante ao que ocorre no Brasil, onde a manipulação de linguagem e poder SE torna uma prática comum. Quando as palavras que deveriam ser uma limitação ao poder passam a legitimá-lo, a transformação já SE concretizou.
Esse cenário atual é preocupante, pois não SE trata de um retorno a um totalitarismo reconhecível, mas sim de sua infiltração em procedimentos cotidianos. Não há mais necessidade de muros visíveis, pois cada instituição pode erguer suas barreiras de forma discreta. Essas barreiras não separam somente territórios, mas também afastam as pessoas de seus direitos, sem gerar resistência, apenas adaptação à nova realidade.
Assim, a sociedade contemporânea aprende a viver dentro dessas limitações, sem que haja necessidade de rupturas ou escândalos, o que torna a situação ainda mais alarmante.

