PF apura suspeita de crime financeiro envolvendo Paulo Guedes e dono da OnilX

Inquérito sob sigilo na Justiça Federal do Paraná investiga ex-ministro da Economia e Fábio Lino de Almeida.
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A Polícia Federal (PF) investiga o ex-ministro da Economia Paulo Guedes e o empresário Fábio Lino de Almeida, proprietário da OnilX, por suspeita de crimes contra o Sistema Financeiro Nacional. O inquérito foi aberto em 10 de fevereiro deste ano e tramita sob sigilo na 9ª Vara Federal de Curitiba, com atuação do Ministério Público Federal (MPF). O caso foi registrado em 29/10/2026, às 09h29.

Segundo documentos do processo, a investigação apura possíveis infrações previstas na Lei nº 7.492/1986. Em 21 de setembro, houve despacho judicial e expedição de intimações relacionadas a Fábio Lino, à PF e ao MPF. No mês seguinte, novas petições e diligências policiais foram registradas. Paulo Guedes é representado pelos advogados Ticiano Figueiredo e Pedro Ivo Velloso, que também figuram entre os defensores de Fábio Lino no inquérito. A defesa não respondeu aos contatos da reportagem.

A relação de Guedes com a OnilX inclui prestação de consultoria, participação em reuniões estratégicas e palestras a investidores. Em um desses encontros, diante de cerca de 500 pessoas, ele elogiou a empresa e destacou seu possível papel no ambiente digital. A imagem do ex-ministro também foi usada em materiais de divulgação da companhia, ao lado de Fábio Lino e de executivos da Visa.

Investidores relatam dificuldades para resgatar valores aplicados em produtos ligados a criptomoedas. Em uma ação, um casal cobra R$ 876,5 mil da empresa e afirma ter decidido ampliar os investimentos após reunião com Guedes na sede da OnilX, em abril. Quatro meses depois, segundo o relato, não conseguiu resgatar os recursos. Em outro processo, uma assessora da empresa teria mencionado a presença do ex-ministro para convencer um potencial cliente com disponibilidade de R$ 3 milhões a R$ 5 milhões a investir. Um levantamento identificou 108 ações judiciais contra o grupo entre 12 de junho e 10 de setembro, com relatos de suspeitas de pirâmide financeira e promessas de rendimento de até 2,8% ao mês.

A Comissão de Valores Mobiliários (CVM) determinou em janeiro a suspensão de ofertas públicas de serviços de intermediação de valores mobiliários realizadas pelo grupo. Em abril, o colegiado da autarquia manteve a decisão, mas esclareceu que a medida não abrangia a simples intermediação de criptoativos como Bitcoin, Ethereum e USDT, desde que não houvesse promessa de rendimento ou contrato de investimento. A investigação segue em andamento, e a condição de investigados não significa condenação ou comprovação das suspeitas.

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