O prefeito de Nova York, Zohran Mamdani, provocou uma onda de polêmica ao declarar que pretende prender o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, caso ele pise em solo nova-iorquino. Em um vídeo postado nas redes sociais, Mamdani o chamou de 'criminoso de guerra e arquiteto de um terrível genocídio contra o povo palestino'. Essa afirmação reafirma a centralidade do conflito israelense-palestino em sua agenda política.
A declaração do prefeito foi seguida por um incidente violento na cidade, onde um judeu e um homem de origem asiática foram esfaqueados por um agressor que gritou 'Allahu Akbar'. Líderes da comunidade judaica local rapidamente associaram o ataque ao clima de hostilidade gerado pelas palavras de Mamdani contra Israel, evidenciando a tensão crescente em Nova York.
Em um desdobramento inesperado, Mamdani recuou e afirmou que sua intenção de prender Netanyahu estava além de suas atribuições como prefeito. "Está claro que não temos autoridade legal independente para executar esse mandado", disse em um vídeo publicado no X. Ele então apelou ao governo federal para que se juntasse ao Tribunal Penal Internacional (TPI) e cumprisse o mandado.
A declaração de Mamdani levantou dúvidas sobre sua compreensão das limitações de seu papel e gerou desconforto entre a comunidade judaica, especialmente em Nova York, que abriga a maior população judaica dos Estados Unidos, com cerca de 1 milhão de pessoas. A retórica do prefeito, que se posiciona fortemente contra Israel, tem gerado questionamentos sobre suas prioridades enquanto líder municipal.
Aos oito meses de sua gestão, analistas em Israel não veem sinais de que Mamdani pretende mudar sua postura ativista em relação ao conflito. As preocupações aumentam, especialmente com a gravidade dos crimes antissemitas na cidade. Dados apontam que, enquanto em 2025 os ataques se concentravam em bens materiais, atualmente, as agressões físicas contra judeus têm se tornado mais frequentes, algumas com consequências fatais.
Embora não seja possível estabelecer uma relação direta entre a retórica do prefeito e o aumento da violência, muitos na comunidade judaica sentem que a atmosfera em Nova York se tornou mais permissiva para atos de violência e intimidação. Isso levanta a questão sobre a verdadeira função de Mamdani, que não foi eleito para fazer política externa ou transformar a Prefeitura de Nova York em um tribunal contra Israel.

