Possível refúgio da Família Assad no Brasil é investigado por autoridades sírias

Autoridades sírias apuram a possível fuga de familiares de Bashar al-Assad para o Brasil, após condenações à.
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Autoridades sírias estão investigando a possível fuga de dois parentes do ex-presidente Bashar al-Assad para o Brasil. Essa situação se agrava após as condenações à morte impostas pelo novo governo da Síria. Desde a deposição de Assad, em dezembro de 2024, o regime intensificou a perseguição a membros da família do ex-ditador. A revelação foi feita durante a Conferência das Nações Unidas sobre Mudança Climática (COP30), que ocorreu em Belém, onde a delegação de Damasco recebeu informações sobre a possível presença dos primos de Assad no Brasil.

O novo presidente da Síria, Ahmed al-Sharaa, que liderou a conferência, ouviu relatos de compatriotas que residem no Brasil e que alertaram sobre a situação. A Família Assad esteve no poder por 54 anos, de 1970 até 2024, e a deposição de Bashar al-Assad, que assumiu em 2000, foi marcada por acusações de crimes de guerra durante os 13 anos de guerra civil que se iniciou em 2011. Em agosto de 2023, o ex-presidente foi sentenciado à morte em um julgamento realizado à revelia.

Além de Bashar, outros três membros da Família Assad também receberam penas de morte: Maher al-Assad, irmão de Bashar; Atef Najib, primo e ex-chefe de segurança; e Wassim al-Assad, outro primo. Enquanto Atef e Wassim compareceram presencialmente ao tribunal em Damasco, Bashar e Maher permanecem exilados na Rússia. A execução das sentenças depende da colaboração de Moscou com o governo sírio.

As investigações revelaram que um dos primos suspeitos de estar no Brasil é irmão de Wassim al-Assad, condenado à morte em 18 de agosto de 2023. Este primo, engenheiro de formação, havia se destacado na região de Latakia e foi acusado de envolvimento em contrabando e tráfico no porto local. Ele também é filiado ao Partido Baath e ocupou uma vaga no Parlamento sírio. No início de setembro, as autoridades sírias solicitaram o bloqueio de bens desse primo, alegando sua participação em uma milícia.

Com fortes laços com o regime Assad, esse primo enfrenta sanções impostas pela União Europeia e países como Mônaco, Suíça, Bélgica e França, desde 2023. Após a destituição de Bashar, em 2024, as buscas por ele e por outros membros da família se intensificaram. No entanto, obstáculos burocráticos na Embaixada da Síria no Brasil têm dificultado as investigações. Após a saída da ex-embaixadora Rania al Haj Ali, funcionários ligados ao antigo regime permaneceram na representação, prejudicando a comunicação entre Damasco e Brasília.

A expectativa é que a nomeação de novos embaixadores após as eleições deste ano possa facilitar a cooperação diplomática. Funcionários do Ministério das Relações Exteriores do Brasil, que pediram anonimato, afirmaram que a presença de familiares de Bashar al-Assad no país não é uma atribuição da diplomacia brasileira.

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