Você vai receber seis pessoas, mas só tem quatro pratos daquele aparelho. No armário, há outros modelos: dois herdados da família, alguns brancos, uma coleção comprada aos poucos. A dúvida aparece antes mesmo de escolher o cardápio: posso colocar tudo na mesma mesa?
Pode. Pratos de jogos diferentes podem compartilhar uma refeição e formar uma composição bonita. Não é preciso esconder as peças avulsas nem completar um aparelho antes de convidar alguém.
O que ajuda a combinação é encontrar uma ligação entre elas. Pode ser uma cor, um desenho, o formato ou algum detalhe da borda. Imagine pratos florais com pequenos elementos azuis ao lado de outros inteiramente azuis. Eles não pertencem ao mesmo jogo, mas conversam entre si.
Outra possibilidade é usar pratos brancos como ponto de apoio para peças estampadas. A repetição de um guardanapo ou de um jogo americano também pode aproximar louças diferentes. Assim, a unidade da mesa não depende exclusivamente dos pratos.
Isso não significa que exista uma fórmula obrigatória. Uma mesa com peças variadas pode ser expressiva e cheia de personalidade. Para quem está começando, porém, escolher um elemento em comum facilita as decisões e evita a sensação de que tudo precisa disputar atenção.
O tamanho e a função merecem cuidado. Se todos vão comer o mesmo prato, procure oferecer louças com capacidade e condições de uso semelhantes. Uma pessoa não deveria receber um prato pequeno demais enquanto outra dispõe de espaço confortável para a refeição. A diferença visual pode ser interessante; a diferença de conforto exige atenção.
Também vale observar a quantidade de peças sobrepostas. Um prato de sobremesa não precisa ficar sobre o prato principal apenas para completar a composição se não será usado naquele momento. A mistura deve funcionar quando a comida chegar, com espaço para os talheres, os copos e os movimentos de quem está sentado.
E as taças e os copos? Podem seguir a mesma lógica: não precisam ter o mesmo desenho, mas devem ser adequados às bebidas e oferecer conforto semelhante. Um detalhe repetido pode conectar o conjunto, sem exigir que cada lugar seja uma cópia do outro.
Antes de decidir comprar algo, faça uma experiência com o que já possui. Coloque as peças lado a lado, acrescente a roupa de mesa e observe o resultado. Às vezes, um prato que parecia difícil de usar encontra companhia justamente fora do jogo original.
Há ainda um valor afetivo nessa escolha. A louça herdada, a peça trazida de uma viagem e aquela compra feita no início da vida podem participar do mesmo encontro. A mesa passa a mostrar um pouco da história da casa, sem precisar parecer uma vitrine.
Ter tudo igual é uma possibilidade, não uma condição para receber bem. Quando as peças cumprem sua função e a composição foi pensada com cuidado, a mistura pode se tornar o encanto da mesa.
O aparelho pode estar incompleto. O encontro não precisa ficar para depois.
Por Juliana Ventura @julianaventuraeu