Na quarta-feira, 11, Israel e Venezuela anunciaram a decisão de restabelecer os serviços consulares, o que marca a abertura de um canal oficial de comunicação entre os dois países após 17 anos de tensões. Este entendimento representa uma mudança significativa na política externa da Venezuela, que até então era caracterizada por hostilidade em relação a Israel e uma aproximação com o Irã.
Embora o acordo tenha sido firmado entre os chanceleres Félix Plasencia, da Venezuela, e Gideon Sa'ar, de Israel, ele ainda não implica na retomada completa das relações diplomáticas ou na reabertura das embaixadas. Uma estrutura coordenada foi proposta para oferecer serviços consulares aos cidadãos de ambos os países, além da continuidade da cooperação técnica em operações de emergência e recuperação, especialmente após os terremotos que afetaram a Venezuela em junho.
No dia 10 de julho, Delcy Rodríguez, presidente interina da Venezuela, se reuniu com oficiais do Comando da Frente Interna das Forças de Defesa de Israel, indicando uma nova etapa nas relações bilaterais. Desde a época da presidência de Hugo Chávez, que durou de 1999 a 2013, as relações entre os dois países se tornaram tensas, especialmente após o presidente venezuelano expulsar o embaixador israelense, Shlomo Cohen, em 2009, em resposta a uma operação militar israelense na Faixa de Gaza.
Nicolás Maduro, que assumiu a presidência em 2013, manteve a mesma postura hostil em relação a Israel durante seus quase 13 anos no poder, o que resultou em uma queda acentuada na população judaica na Venezuela, que passou de 25 mil para apenas 4 mil. Muitos dos judeus que deixaram o país se mudaram para o sul da Flórida, Israel ou outros países de língua espanhola, como Colômbia, Panamá, México e Espanha.
Desde a destituição de Maduro em janeiro e a ascensão de Delcy Rodríguez ao cargo de presidente interina, as hostilidades entre os dois países foram suspensas, permitindo o surgimento de um ambiente mais favorável às negociações. Contudo, Caracas expressou sua preocupação com referências feitas pelo governo iraniano que, segundo a Venezuela, feriam sua dignidade e soberania. O episódio é notável, pois ocorreu poucos anos após a liderança do Irã caracterizar a relação com a Venezuela como uma parceria excepcionalmente próxima.
Menos de duas semanas após a manifestação de descontentamento, o acordo com Israel foi formalizado, em parte devido à assistência israelense nas operações de resgate após os terremotos. Apesar do novo entendimento, as relações entre Venezuela e Irã permanecem intactas, com Caracas não desfazendo o acordo de cooperação de 20 anos firmado em 2022, que inclui aspectos militares.

