Um relatório da Polícia Federal revela que o ex-governador Cláudio Castro esteve envolvido em jantares luxuosos pagos por Daniel Vorcaro, que totalizaram um custo de R$ 5 milhões. Os encontros, que contaram com a presença de apenas dez convidados, incluíram uma variedade de pratos e bebidas sofisticadas, como whisky, vinho, champanhe, feijoada e churrasco.
Entre os eventos destacados, dois jantares ocorreram na churrascaria Nusr-Et, em Nova York, famosa pelo chef turco Nusret Gökçe, conhecido como Salt Bae. O local é renomado por servir carnes folheadas a ouro, com preços que podem chegar a US$ 2.000 (R$ 10,3 mil) por prato. As bebidas servidas variavam entre US$ 850 (R$ 4,4 mil) e US$ 1.400 (R$ 7,2 mil), conforme um cardápio analisado pelos investigadores.
A investigação também menciona que os encontros foram marcados por um “elevado requinte”. Entre os vinhos e champanhes oferecidos estavam o Vega-Sicilia Único 2013, além de Dom Pérignon e Cristal, cuja inclusão foi autorizada por Vorcaro. O evento no The Carnegie Club, em Manhattan, próximo ao Central Park, teve um custo estimado em US$ 1,013 milhão e aconteceu um dia após Vorcaro convidar Castro para uma degustação exclusiva de uísque.
Em 15 de maio de 2024, no dia seguinte à degustação, o fundo previdenciário Rioprevidência adquiriu R$ 80 milhões em letras financeiras do Banco Master. Nas mensagens analisadas, Vorcaro descreveu o evento como “um evento pequeno” e uma “degustação de whisky”, destacando a exclusividade da ocasião.
Os jantares ocorreram enquanto Castro cumpria compromissos oficiais no exterior, recebendo diárias do Tesouro estadual. O ex-governador e Vorcaro já haviam se encontrado em outras ocasiões, incluindo o Palácio das Laranjeiras, em camarotes durante o Carnaval e em um hotel em Santa Teresa.
A atuação de Cláudio Castro não se limitou a contatos institucionais, mas envolveu um forte vínculo pessoal com o controlador do Banco Master, caracterizado por frequentes encontros em ambientes privados, custeados por Vorcaro. Esses encontros coincidem com aportes bilionários do Rioprevidência, que totalizam R$ 3,7 bilhões e foram realizados driblando regras do fundo de pensão. O ex-governador permanece sob investigação e foi declarado inelegível pelo TSE até 2030.

