Além de sua defesa da taxa, a declaração de Haddad chamou atenção pelo tom, onde ele afirmou não conhecer a plataforma Shein, uma das principais varejistas online do Brasil. "Vocês falam da Shein como se eu conhecesse. Eu não conheço a Shein. O único portal que eu conheço é o da Amazon, eu compro um livro todo dia, pelo menos", afirmou o ministro, embora tenha reconhecido a relevância das gigantes chinesas, como Aliexpress e Shein, no mercado.
Na defesa da taxa das blusinhas, Haddad argumentou que a cobrança criaria um ambiente de concorrência leal, onde as empresas seriam incentivadas a se regularizar. "Quando você faz as coisas às claras, não tem problema. Se uma sobe o preço, a outra baixa. Você vai ter concorrência em condições de igualdade", explicou na época.
O ministro enfatizou que a regularização era o que se esperava de empresas responsáveis e que já havia recebido manifestações de interesse de grandes plataformas para se adaptarem à nova realidade do mercado. No entanto, o recuo do governo gera desconfiança e críticas, que apontam para uma possível hipocrisia e oportunismo político.
Sam Pancher, ao compartilhar o vídeo, ressaltou a contradição da posição do governo, que precisa justificar por que uma medida considerada positiva em 2023 agora é revogada. Esse debate sobre a taxa das blusinhas tornou-se emblemático, refletindo a necessidade de o governo explicar sua mudança de postura em relação a uma política que, até então, era vista como um avanço para a concorrência justa e a transparência no comércio.
As repercussões dessa revogação ainda estão se desenrolando, com a expectativa de que o governo apresente uma nova estratégia para lidar com o comércio internacional e a tributação de produtos importados de baixo valor. O ano de 2023 marca um ponto crucial na discussão sobre a tributação de compras internacionais e seu impacto na economia local, com possíveis desdobramentos até 2026.

