María Teresa Belandria, que atuou como embaixadora da Venezuela no Brasil entre fevereiro de 2019 e dezembro de 2022, compartilhou suas reflexões sobre os recentes terremotos que atingiram o país. Em uma conversa profunda, ela destacou não apenas a dor causada pela tragédia, mas também a impressionante resposta da população. Com um pingente da Venezuela em seu peito, María Teresa relembrou a angústia que sentiu ao perder contato com familiares logo após os tremores.
Em 24 de junho, a Venezuela foi abalada por dois terremotos, um evento que, segundo a ex-embaixadora, poderia ser previsto devido ao histórico sísmico do país, que já enfrentou grandes tragédias em 1812 e 1967. Embora os especialistas soubessem da possibilidade de um novo grande tremor, a incerteza quanto ao momento exato sempre permanece. Após o terremoto de Caracas em 1967, o governo havia implementado normas de construção sismorresistentes, mas a força dos tremores ainda causou danos significativos.
María Teresa também ressaltou a atuação da comunidade internacional, mencionando o hospital de campanha enviado pelo Brasil e as equipes de resgate de países como El Salvador e Israel. No entanto, o foco maior foi a solidariedade demonstrada por venezuelanos, que se uniram para ajudar uns aos outros, removendo escombros e salvando vidas antes mesmo da ajuda externa chegar.
A ex-embaixadora enfatizou que a reconstrução da Venezuela deve ir além das estruturas físicas, como prédios e estradas. Para ela, é fundamental restaurar a dignidade das pessoas e permitir que elas voltem a trabalhar e viver com qualidade. Além disso, a recuperação das instituições e da democracia é igualmente crucial para que o país possa enfrentar futuras tragédias com mais eficácia.
María Teresa observou que, apesar da dor, a tragédia provocou um senso de união entre os venezuelanos. Este sentimento de solidariedade e reconciliação, que já vinha se formando, se intensificou após os terremotos, trazendo esperança de que esse espírito coletivo possa contribuir para a construção de uma nova Venezuela. Para ela, a reconstrução não é apenas física, mas também envolve a restauração das bases sociais e institucionais do país, essenciais para o futuro.
A ex-embaixadora concluiu sua análise destacando a necessidade urgente de atenção à emergência humanitária, mas também enfatizando a importância de se olhar para o longo prazo, com ações que fortaleçam a resiliência da sociedade venezuelana.

