A vida do australiano Matthew Radalj sofreu uma reviravolta drástica em janeiro de 2020, quando foi detido em Pequim após uma discussão em um shopping. Ele alega ter sido preso de forma injusta e, durante seu tempo em um Centro de Detenção, foi submetido a severas agressões físicas por parte da polícia. Radalj relatou que sua primeira audiência com um advogado ocorreu 11 meses após sua prisão.
O relato de Radalj foi incluído em um documento da Safeguard Defenders, uma organização que se dedica a expor os abusos do Partido Comunista Chinês. No Centro de Detenção, ele enfrentou torturas tão intensas que chegou a esquecer seu próprio nome. A privação de assistência jurídica, exposição ao frio extremo e falta de sono por oito meses foram algumas das condições desumanas que ele enfrentou.
Para forçá-lo a assinar uma confissão de roubo, Radalj foi submetido a uma forma de tortura sonora, onde os policiais utilizavam autofalantes em volume máximo. Sob tamanha pressão, ele concordou em assinar a confissão, acreditando que isso poderia acelerar seu retorno para casa em 2024. "Disseram-me que o crime de roubo começa aos seis anos e depois leva a uma prisão perpétua", afirmou.
O australiano também mencionou que havia mais de 25 pessoas em sua cela, onde as condições eram precárias. Ele descreveu que não havia beliches, apenas uma parede de cimento, e os detentos recebiam apenas um cobertor. Radalj dividia a cela com prisioneiros de diversas nacionalidades, como nigerianos, norte-americanos, canadenses e britânicos. Ele observou que um dos prisioneiros era designado para comandar as celas, recebendo privilégios em troca de colaboração com os guardas.
Entre as torturas que Radalj sofreu, ele relatou ter sido submetido a choques elétricos e episódios humilhantes, como ser deixado nu do lado de fora enquanto um cachorro o atacava. "Os guardas se comportam como psicopatas, agindo em grupo", declarou. Ele descreveu ciclos de tortura que duravam até 48 horas, alternando entre ser exposto ao frio e ser trazido de volta para a cela.
O relatório da Safeguard Defenders também menciona outros casos alarmantes de tortura no Centro de Detenção nº 3, incluindo o de Li Qiaoming, de 24 anos, que foi espancado até a morte por um colega detento que atuava como chefe de cela. Em 2014, um homem não identificado morreu após mais de 50 horas de interrogatório, enquanto em 2021, outro jovem de 19 anos foi encontrado morto em uma cela na Província de Hunan, com a boca e o nariz cobertos por fita adesiva.

