Wagner Moura critica a polarização e associa identitarismo a fascismo de esquerda

Em entrevista a Pedro Bial, Wagner Moura discute os desafios do diálogo político no Brasil e critica.
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O ator Wagner Moura, durante uma entrevista ao jornalista Pedro Bial, expressou sua visão de que o identitarismo se transformou em uma forma de "fascismo de esquerda". A conversa ocorreu em Atenas, na Grécia, e foi exibida no programa "Conversa com Bial" da TV Globo na terça-feira (4).

Moura abordou as críticas que recebe, especialmente aquelas que o acusam de ser hipócrita por defender pautas de esquerda, mesmo residindo fora do Brasil e desfrutando de sucesso financeiro. Ele resumiu esse tipo de crítica ao afirmar: "Você é um hipócrita porque está aqui, em Atenas, tomando vinho com Pedro Bial e acredita que as pessoas que moram na favela merecem ser tratadas com decência".

Refletindo sobre sua trajetória pessoal, o ator mencionou sua origem humilde, dizendo: "Quando eu estava lá em Rodelas e era pobre, aí eu poderia ser de esquerda, né?". Moura questionou a ideia de que há um limite financeiro para acreditar em justiça social, mostrando-se crítico às percepções que cercam sua posição atual.

O artista também relatou as críticas que recebe relacionadas à sua vida nos Estados Unidos, onde vive há cerca de oito anos com a mulher, Sandra Delgado, e os três filhos. Ele mencionou comentários como: "ele mora nos Estados Unidos e trabalha lá, então não pode falar do Brasil", e questionou a lógica por trás de tais afirmações.

Moura expressou seu desejo de dialogar com pessoas de direita sobre a administração estatal e os gastos públicos. Ele lamentou que essa discussão não avança, sendo muitas vezes ofuscada por disputas identitárias. "Eu queria ter uma interação com a direita e poder conversar com eles sobre os assuntos que essa peça traz. Acho uma discussão superválida", afirmou, referindo-se à peça "O Julgamento", que está em cartaz na Europa.

Além disso, o ator abordou a polarização política atual, lembrando que, no passado, esquerda e direita podiam discutir o mesmo fato. "Hoje, os fatos não importam mais", concluiu, refletindo sobre a dificuldade de um debate construtivo na atualidade.

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