O atacante Willian José, do Bahia, divulgou nesta quinta-feira (30) um pedido de desculpas depois de compartilhar uma publicação com críticas ofensivas ao Nordeste. Em nota, o jogador reconheceu o erro, afirmou ter orgulho de suas origens alagoanas e negou ser xenofóbico. A polêmica começou no domingo (25), após o resultado do segundo turno das eleições presidenciais, quando o centroavante republicou conteúdo do influenciador Emerson Barreto, que chamou a região de "câncer do Brasil".
A publicação gerou reações negativas de torcedores, que questionaram a postura do atleta e pediram a rescisão de seu contrato. Em um primeiro momento, Willian José tentou explicar o compartilhamento, dizendo que sua intenção era criticar a atuação de políticos e defender melhorias para a população, mas não pediu desculpas. Diante da continuidade da controvérsia, o jogador decidiu divulgar uma retratação mais ampla, na qual assumiu a responsabilidade pelo episódio.
"Diante da repercussão do vídeo compartilhado por mim envolvendo uma fala de cunho ofensivo contra o Nordeste, venho a público esclarecer a minha posição e pedir desculpas. Não sou e nunca fui xenofóbico", escreveu o atacante. Na manifestação, ele destacou que é alagoano e tem orgulho de sua história, além de reconhecer que a condição de jogador profissional exige responsabilidade com as mensagens que transmite. "Tenho orgulho de ser nordestino e jamais teria a intenção de diminuir ou desrespeitar a terra e o povo de onde venho. Não por mal, mas foi um erro! E erro a gente não justifica, a gente reconhece e pede desculpa", afirmou em outro trecho.
Na quarta-feira (28), o atacante ficou fora da lista de relacionados para o confronto contra o São Paulo, pela 33ª rodada do Campeonato Brasileiro, vencido pelo Bahia por 3 a 2 na Arena Fonte Nova. O diretor de futebol Cadu Santoro confirmou que a ausência foi uma decisão institucional do clube e classificou a atitude do jogador como um "erro grave". Segundo ele, a publicação não refletia o pensamento da comissão técnica nem os valores da instituição.
O caso também teve desdobramentos jurídicos. O Ministério Público da Bahia (MP-BA) instaurou um procedimento para apurar possível prática de xenofobia relacionada ao vídeo compartilhado pelo atacante. A investigação está sob responsabilidade da Promotoria de Justiça de Combate ao Racismo e à Intolerância Religiosa, que não estabeleceu prazo para concluir a apuração.