O palhaço Zequinha de Curitiba é um dos maiores símbolos da identidade curitibana, que atravessa quase um século de história. Criado em 1928 pelos irmãos Sobania para impulsionar a venda das balas da fábrica A Brandina, o Zequinha de Curitiba nasceu em uma capital de apenas 100 mil habitantes, marcada por bondes e ruas sem asfalto.
Ao longo de sua trajetória, as figurinhas registraram a evolução da capital paranaense, mostrando o personagem em diversas funções, de ferreiro a médico, refletindo o processo de urbanização e modernização da metrópole. A evolução visual do Zequinha passou pelas mãos de três artistas principais: Alberto Thiele, Paulo Carlos Rohrbach e Nilson Muller, que faleceu em janeiro de 2026.
Muller foi o responsável por suavizar os traços do palhaço e introduzir conceitos contemporâneos de diversidade e respeito, eliminando antigas representações polêmicas ou inadequadas. Atualmente, o legado do personagem é objeto de estudos acadêmicos e preservação histórica. A pesquisadora Camila Jansen utilizou as figurinhas em seu doutorado na UFPR para analisar os impactos da modernização em Curitiba, trabalho que resultou no livro “As Balas Zequinha e a Curitiba de Outrora”, publicado no final de 2024.
Grande parte desse acervo histórico está preservada na Casa da Memória de Curitiba para consulta pública. Além disso, a família de Nilson Muller guarda ilustrações inéditas do artista, planejando futuras curadorias para manter viva a memória desse símbolo tão ligado ao imaginário da cidade.
