Uma pesquisa revelou que 19 dos 33 ministros do Superior Tribunal de Justiça (STJ) têm familiares exercendo a advocacia em processos que tramitam na própria Corte. Ao todo, 29 parentes, incluindo filhos, cônjuges e sobrinhos, assinam 4.933 ações, sendo que 983 delas ainda estão em andamento, aguardando julgamento ou decisão. O levantamento não inclui casos que estão sob segredo de Justiça.
Embora esses processos representem apenas cerca de 0,3% do total de 352 mil casos no STJ, a situação levantou discussões sobre ética, transparência e igualdade de acesso aos gabinetes dos ministros. Profissionais do meio jurídico comentam que a busca por escritórios ligados a magistrados se tornou prática comum, com clientes interessados em associar suas causas a nomes influentes para facilitar o andamento dos processos.
Além de encontros formais, eventos acadêmicos e sociais também funcionam como espaço de interação entre advogados e magistrados. Especialistas apontam que a falta de registro oficial dessas interações representa um problema significativo, especialmente quando não há transparência sobre as reuniões entre os envolvidos.
Embora a atuação de parentes de ministros não infrinja as normas da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), a presença de vínculos familiares em causas judiciais levanta questionamentos sobre o acesso facilitado aos gabinetes. Entre os ministros com mais parentes atuando na Corte, destacam-se Luis Felipe Salomão, Humberto Martins e Francisco Falcão, cada um com três familiares advogando no STJ.

