O presidente da Bolívia, Rodrigo Paz, declarou que organizações criminosas como o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) produzem uma forma de terrorismo. A posição contraria o governo brasileiro e foi feita após uma reunião bilateral com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva no Palácio do Itamaraty, onde os dois países assinaram um acordo de cooperação no combate ao crime organizado transnacional.
Paz destacou que a classificação do terrorismo é diversa, mas enfatizou que o combate ao crime organizado e ao terrorismo é central em sua missão. A inclusão do PCC e do CV na categoria de organizações terroristas é defendida pelo governo dos EUA, com o qual o presidente boliviano se reuniu em março durante a cúpula “Escudo das Américas” em Miami.
O governo Lula, no entanto, resiste a essa classificação, temendo que ela permita sanções e uma atuação mais agressiva dos EUA no combate ao narcotráfico na região. O chanceler Mauro Vieira já expressou preocupações ao secretário de Estado americano, Marco Rubio.
Três dias antes do encontro com Lula, a Bolívia prendeu o narcotraficante uruguaio Sebastián Marset, que possuía conexões com o PCC. Marset foi extraditado para os EUA, onde era procurado e estava entre os cinco narcotraficantes mais buscados pela DEA. Ele havia sido filmado ameaçando iniciar uma guerra entre Brasil, Bolívia e Paraguai.

