Em uma sessão recente no Tribunal de Justiça do Pará (TJ-PA), a desembargadora Eva do Amaral Coelho fez declarações contundentes sobre os impactos dos cortes de penduricalhos nos salários dos magistrados. Em sua fala, ela afirmou que a magistratura brasileira está se encaminhando para um "regime de escravidão" devido à restrição nos pagamentos de benefícios. A magistrada, que recebeu R$ 91 mil líquidos em março, ressaltou que este valor é quase o dobro do teto constitucional de R$ 46,3 mil.
Eva Coelho criticou a imagem negativa que a sociedade tem em relação à categoria, afirmando que os juízes estão sendo vistos como "bandidos" e pessoas sem escrúpulos, que desejam ganhar altos salários sem trabalhar. Ela enfatizou que a utilização do termo "penduricalhos" para se referir aos benefícios é uma expressão "chula" que não condiz com a realidade da profissão. A desembargadora expressou sua preocupação com a possibilidade de não conseguir arcar com as despesas do dia a dia, dizendo que em breve não haverá como pagar contas.
No primeiro trimestre deste ano, a desembargadora acumulou R$ 216 mil em salários. Integrante da 3ª Turma de Direito Penal, ela ingressou na magistratura em julho de 2020, após 35 anos de carreira. Durante sua fala, Eva Coelho mencionou que a situação financeira atual da magistratura já está afetando a saúde dos colegas, que estão deixando de ir ao médico por não conseguirem pagar as consultas e abandonando o uso de medicamentos.
A magistrada TAMBÉM abordou o fim de benefícios que antes eram garantidos, afirmando que não há mais direito a auxílio-alimentação e que gratificações por direção de fórum foram cortadas. Ela reforçou a ideia de que a situação atual pode levar os juízes a um estado de "escravidão".
Eva Coelho ainda defendeu a carga de trabalho dos magistrados, ressaltando que a atividade vai além do que é realizado nos tribunais. "Ninguém trabalha só aqui. Se nós trabalharmos só aqui, aí que a justiça não vai andar", destacou, afirmando que é comum realizar horas extras em casa, especialmente durante os plantões.
Por fim, a desembargadora alertou que a população sentirá os efeitos dessas restrições quando precisar da Justiça e não obtiver a resposta esperada, deixando claro que a sociedade perceberá as consequências da escolha feita em relação à magistratura.

