O líder do Partido Liberal (PL) na Câmara dos Deputados, Sóstenes Cavalcante, expressou críticas contundentes em relação às declarações do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Gilmar Mendes, durante um embate público com o ex-governador de Minas Gerais e pré-candidato à Presidência, Romeu Zema. Em entrevista, Sóstenes afirmou que Mendes está "cada vez mais destemperado" em suas falas, ressaltando que tal postura gera constrangimentos institucionais e contribui para a crescente rejeição ao STF.
"Isso só gera mais rejeição à instituição, que hoje é uma das mais criticadas nas pesquisas de opinião", destacou o parlamentar, referindo-se a um levantamento que mostrou que, pela primeira vez, a maioria dos brasileiros não confia no Supremo. O estudo, realizado entre os dias 10 e 13 de abril, revelou que a taxa de desconfiança alcançou 53%, superando a confiança, que atualmente é de 41%.
A controvérsia teve início no dia 20 de abril, quando Mendes solicitou ao ministro Alexandre de Moraes a inclusão de Zema no inquérito das fake news, relacionado a um episódio da série "Os Intocáveis", que foi publicado nas redes sociais de Zema enquanto ele ainda ocupava o cargo de governador. Nesse material, fantoches representavam os ministros Dias Toffoli e Gilmar Mendes de maneira satírica, o que provocou reações da oposição.
Em uma entrevista ao jornal O Globo, no dia 22, Mendes ironizou a forma de falar de Zema, afirmando que ele utilizava um "dialeto próximo do português". Zema respondeu, defendendo que o seu linguajar, característico de brasileiros simples, contrasta com o que chamou de "português esnobe dos intocáveis de Brasília".
O confronto escalou quando Mendes, em entrevista ao Metrópoles no dia 23, insinuou que Zema não aceitaria ser representado como um "boneco homossexual", questionando se tal representação não seria ofensiva. Após a repercussão negativa de suas palavras, o ministro recuou e pediu desculpas publicamente, reconhecendo que errou ao mencionar a homossexualidade em suas declarações. Mendes afirmou que já havia se "penitenciado" por sua fala, que considerou inadequada e injuriosa.
A situação evidencia um momento tenso entre os poderes e reflete a insatisfação crescente da população em relação ao STF, que, Segundo Sóstenes, tem sido alvo de críticas intensas e constantes. A crise atual pode ter desdobramentos significativos nas relações entre o Legislativo e o Judiciário, especialmente em um ano eleitoral, com a proximidade das eleições de 2026.

