A desembargadora Sylvia Marlene de Castro Figueiredo, do Tribunal Regional Federal da 3ª Região (TRF-3), determinou a soltura de MC Ryan SP, MC Poze do Rodo e Raphael Sousa Oliveira, conhecido por administrar a página de fofocas 'Choquei'. Esses indivíduos são alvos da Operação Narco Fluxo, que investiga um esquema de lavagem de dinheiro do crime organizado, com vínculos com o Primeiro Comando da Capital (PCC), utilizando apostas e rifas ilegais como instrumentos.
Além dos três, a decisão da magistrada, proferida na última quarta-feira, 13, abrange outros investigados na operação, como o influenciador digital Chrys Dias, o empresário Rodrigo Oliveira, proprietário da produtora de funk GR6, e o produtor Henrique Viana, popularmente conhecido como 'Rato Love Funk'. Esse habeas corpus é parte de um conjunto de decisões favoráveis que começaram a ser concedidas desde a última segunda-feira, 11.
Conforme apuração da Polícia Federal, Ryan Santana dos Santos, o MC Ryan SP, é descrito como líder e beneficiário econômico de um esquema que utiliza empresas de música e entretenimento para misturar receitas legítimas com recursos oriundos de apostas ilegais e rifas digitais. Essa estrutura foi revelada através da Operação Narco Bet, que se desenvolveu a partir de informações coletadas na Operação Narco Vela, envolvendo plataformas de apostas de quotas fixas para lavagem de dinheiro proveniente de atividades ilícitas, incluindo o tráfico internacional de drogas.
O inquérito também aponta a atuação de uma organização criminosa voltada para a movimentação de grandes quantias financeiras, utilizando tanto dinheiro em espécie quanto transferências bancárias e operações com criptoativos, em particular a moeda digital USDT (Tether), tanto em território nacional quanto no exterior. A desembargadora do TRF-3, em sua decisão, ressaltou que a manutenção da prisão preventiva dos envolvidos na Narco Fluxo não é justificável sem elementos que sustentem uma eventual denúncia do Ministério Público Federal (MPF).
Até o momento, nenhum dos investigados recebeu uma acusação formal. A decisão da desembargadora foi comunicada em meio a uma semana intensa, na qual o juiz Roberto Lemos dos Santos Filho, da 5ª Vara Criminal Federal de Santos, havia enquadrado MC Ryan SP e outros investigados na Lei Antifacção, após pedido da Polícia Federal. Lemos descreveu os alvos da operação como envolvidos em associações criminosas de alta periculosidade, como o PCC e o Comando Vermelho (CV), que têm dominado o cenário criminoso brasileiro por mais de 20 anos.
O magistrado afirmou que existem evidências claras do envolvimento dos investigados com organizações criminosas de grande alcance, que atuam não apenas no Brasil, mas também em nível internacional.

