No primeiro trimestre de 2026, o turismo em Cuba registrou uma queda de 48%, uma consequência direta do agravamento da crise econômica que o país enfrenta. A escassez de combustível e o cancelamento de rotas aéreas contribuem para essa diminuição. Informações do Escritório Nacional de Estatísticas de Cuba indicam que, neste período, a ilha recebeu cerca de 300 mil turistas internacionais, enquanto no mesmo intervalo de 2025, esse número foi de 577 mil.
O impacto é visível também entre os turistas provenientes de nações que tradicionalmente visitam Cuba, como Canadá, Estados Unidos e Rússia. A empresa Caribbean Tours, que opera na ilha, relatou que o volume de visitantes caiu drasticamente, chegando a cerca de uma dúzia de turistas por mês. Sarah Foda, gerente de operações da companhia, atribuiu essa redução a problemas estruturais, como os frequentes apagões.
A diminuição do turismo ocorre em um contexto de redução das conexões aéreas diretas com a ilha. Dados da plataforma FlightConnections revelam que várias rotas, principalmente da Europa e da América do Norte, foram canceladas. As companhias aéreas enfrentam dificuldades de abastecimento de combustível para os voos de retorno, o que tem levado a interrupções nos serviços. Recentemente, a World2Fly anunciou o fim de sua rota entre Madri e Havana, e outras empresas também diminuíram suas operações.
O setor hoteleiro e de serviços turísticos reporta uma queda acentuada na taxa de ocupação e no faturamento. Andrea Gallina, proprietário de hotéis em Havana, informou que uma de suas unidades foi fechada em abril devido à diminuição gradual da ocupação. Por sua vez, Alejandro Herrera, dono de um restaurante na capital cubana, revelou que sua receita caiu em cerca de 90%, evidenciando a gravidade da situação enfrentada pelo setor.
Esses dados refletem um panorama preocupante para a economia cubana, que já se encontra em um estado crítico, e indicam que a recuperação do turismo, vital para o país, pode ser um desafio significativo nos próximos anos.

