Candidato de esquerda solicita anulação de votos do exterior em disputa presidencial no Peru

Roberto Sánchez, do partido Juntos por el Perú, pede ao Júri Nacional de Eleições a nulidade dos.
WhatsApp
Facebook
Twitter
Print

O candidato Roberto Sánchez, representando o partido Juntos por el Perú, formalizou um pedido ao Júri Nacional de Eleições do Peru para anular todos os votos emitidos por peruanos no exterior durante o segundo turno das eleições presidenciais. Com 99,85% das urnas contabilizadas, a candidata do Fuerza Popular, Keiko Fujimori, lidera com 50,118% dos votos válidos, enquanto Sánchez obteve 49,822%. A diferença entre os dois é de aproximadamente 41 mil votos em um total de mais de 19 milhões apurados.

No seu pedido, Sánchez destacou que Keiko Fujimori obteve 63,4% dos votos no exterior, enquanto ele recebeu apenas 23,4%. Nos colégios eleitorais instalados nos Estados Unidos, a diferença foi ainda mais acentuada, com Fujimori alcançando 76,6% dos votos. Se os cerca de 300 mil votos do exterior forem anulados, a situação se inverteria e Sánchez passaria a liderar a disputa com uma margem de aproximadamente 25 mil votos.

Além disso, o partido Juntos por el Perú também solicitou a anulação de mais de 1.700 atas de votação dentro do Peru, alegando que alguns padrões observados seriam “estatisticamente impossíveis” e indicariam uma possível adulteração dos resultados. A campanha de Keiko Fujimori, por sua vez, rejeitou essas alegações, afirmando que as atas contestadas foram assinadas por representantes do próprio partido de Sánchez.

O resultado oficial da eleição ainda não foi proclamado, uma vez que o Júri Nacional de Eleições deve revisar as atas contestadas, que incluem cerca de 82 mil votos. Essa quantidade é suficiente para mudar o resultado final, caso as contestações sejam parcialmente aceitas. O segundo turno ocorreu no dia 7 de junho, e o processo de apuração foi marcado por duas viradas de liderança, com Sánchez inicialmente à frente e Fujimori assumindo a liderança com a contagem dos votos do exterior e de distritos urbanos mais ricos.

Roberto Sánchez é considerado o herdeiro político de Pedro Castillo, que foi presidente do Peru entre 2021 e 2022 e enfrenta questões legais. A observação da União Europeia durante o segundo turno indicou que a votação ocorreu de maneira calma e ordenada, apesar da polarização política. Nenhuma irregularidade foi identificada pelos observadores internacionais, e o pedido de Sánchez não apresentou provas documentais de fraude nas seções consulares. O candidato alegou que cédulas eleitorais teriam sido transferidas para apuração em Lima, o que classificou como uma grave violação das normas eleitorais.

A tentativa de anular os votos do exterior como forma de reverter um resultado desfavorável já teve precedentes em outros países da região. Gustavo Petro, na Colômbia, adotou uma estratégia similar após o primeiro turno de maio, contestando a contagem preliminar sem apresentar provas, uma abordagem que também não foi corroborada por organismos eleitorais. No Peru, a decisão do Júri Nacional de Eleições sobre os pedidos de nulidade será crucial, pois determinará quem governará o país e a legitimidade do vencedor no exercício do poder.

PUBLICIDADE

Relacionadas: