Na manhã de 26 de junho de 2026, o Banco Central (BC) anunciou a liquidação extrajudicial da Sefer Investimentos, uma distribuidora de títulos e valores mobiliários localizada em São Paulo (SP). A decisão ocorreu em meio a investigações sobre a atuação da empresa, que gerenciava fundos associados ao Banco Master, vinculado a Daniel Vorcaro, alvo de investigações por fraudes no sistema financeiro.
A Sefer, que já foi chamada de Foco DTVM e Índigo, passou por diversas mudanças de nome ao longo de sua história, refletindo as trocas de controle e as investigações da Polícia Federal (PF) e processos da Comissão de Valores Mobiliários (CVM). O BC justificou a liquidação pela deterioração da saúde financeira da distribuidora e por graves violações regulatórias.
Como resultado dessa liquidação, os bens dos controladores e ex-administradores da Sefer terão seus ativos bloqueados. A empresa administrava 102 fundos, com um patrimônio total superior a R$ 20 bilhões, dos quais ao menos R$ 9,6 bilhões estavam relacionados ao Banco Master, conforme levantamento realizado.
Benjamim Botelho de Almeida, controlador da Sefer e identificado pela PF como operador financeiro de Vorcaro, estava à frente da distribuidora. A PF identificou que os fundos vinculados à Sefer adquiriram ativos, inflacionaram seus valores de forma artificial e repassaram esses papéis para empresas ligadas ao grupo de Vorcaro e seus familiares, resultando em perdas significativas para os investidores, incluindo fundos de previdência de servidores públicos.
Em janeiro deste ano, a Sefer já havia sido alvo de uma operação de busca e apreensão na 2ª fase da Operação Compliance Zero, que investiga a estrutura financeira do esquema do Banco Master. Anteriormente, em 2020, tanto Botelho quanto Vorcaro foram investigados na Operação Fundo Fake, que apurou práticas semelhantes de manipulação financeira.
Ascendino Madureira Garcia, conhecido como Dino, que atuava como intermediário de Vorcaro, também foi sócio na Sefer e, segundo a PF, servia como elo entre o banco e as gestoras sob investigação. O BC classifica a Sefer como uma instituição S4, o que a torna de baixa relevância no sistema financeiro nacional. A liquidação de hoje se junta a uma série de outras que já afetaram mais de 10 instituições ligadas ao entorno do Banco Master desde novembro de 2025, quando o próprio banco foi liquidado.

