A Polícia Civil do Rio de Janeiro (PCRJ) deu início na manhã do dia 21 de julho de 2026 à Operação Metástase, com o objetivo de combater uma Organização Criminosa envolvida no roubo de medicamentos oncológicos e imunossupressores. Até o momento, cinco pessoas foram presas durante a ação, que também abrangeu quatro estados brasileiros.
A operação foi autorizada pela 1ª Vara Especializada em Organização Criminosa do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro e incluiu o cumprimento de cinco mandados de prisão preventiva e 97 de busca e apreensão. De acordo com a Delegacia de Roubos e Furtos de Cargas da Capital (DRFC-Cap), o grupo criminoso possui vínculos com o Terceiro Comando Puro (TCP), uma das maiores organizações narcoterroristas do estado. A investigação revelou que o esquema movimentou aproximadamente R$ 33 milhões em um ano, utilizando empresas de fachada para reinserir os medicamentos roubados no mercado.
O delegado André Prates, que lidera as investigações, destacou a gravidade dos crimes cometidos pelo grupo. "Esses marginais roubam medicamentos que muitas vezes têm como destino o abastecimento da rede pública de saúde. E roubam de forma extremamente violenta, com fuzis e batedores", afirmou. As cargas furtadas eram armazenadas no Complexo da Maré, na Zona Norte do Rio, antes de serem distribuídas para outros estados.
Além da Maré, a operação também foi realizada em áreas da Baixada Fluminense e em locais de São Paulo, incluindo Santo André e São Caetano do Sul. A apuração identificou que 25 empresas de fachada, localizadas entre o Rio de Janeiro, São Paulo, Goiás e Pará, faziam parte da estrutura do grupo, recebendo os medicamentos ilícitos.
Os medicamentos eram revendidos para hospitais privados e, em alguns casos, para instituições públicas de saúde, utilizando processos licitatórios na modalidade de tomada de preços. O grupo oferecia preços inferiores aos praticados pelo mercado, facilitando a inserção de produtos de origem criminosa na cadeia legítima de fornecimento.
A Polícia Civil classifica o esquema como uma séria ameaça à saúde pública, uma vez que medicamentos oncológicos e imunossupressores requerem controle rigoroso de temperatura e condições adequadas de armazenamento. A falta dessas condições pode comprometer a eficácia dos produtos. O volume elevado de cargas subtraídas representa um risco ao abastecimento dos sistemas de saúde, impactando diretamente o tratamento de pacientes oncológicos, transplantados e pessoas com doenças autoimunes.

