Daniel Ortega, atual presidente da Nicarágua, retomou a liderança do país em 2006 e desde então vem moldando um sistema político que eliminou a alternância de poder. Um relatório do Instituto Millenium detalha as estratégias utilizadas para consolidar seu domínio, que incluem mudanças nas regras eleitorais e repressão sistemática a opositores.
O processo de centralização do poder teve início em 1999, com a assinatura de um acordo conhecido como "El Pacto" entre membros do grupo sandinista e o então presidente Arnoldo Alemán. Esse pacto foi fundamental para a alteração do percentual mínimo de votos necessários para vencer a eleição presidencial no primeiro turno, que caiu de 45% para 35%, desde que o candidato obtivesse uma vantagem de pelo menos 5 pontos percentuais sobre o segundo colocado.
Em 2006, Ortega voltou ao cargo com 37,9% dos votos, em uma eleição marcada pela divisão da oposição, que facilitou sua vitória após 16 anos fora do poder. Em 2009, a Suprema Corte da Nicarágua declarou inconstitucional a proibição da reeleição presidencial, o que permitiu a Ortega buscar novos mandatos. Ele foi reeleito em 2011 e novamente em 2016 e 2021.
Ao longo de seu governo, Ortega ampliou seu controle sobre o Judiciário, o Legislativo e o sistema eleitoral, além de restringir a atuação de veículos de comunicação independentes e organizações não governamentais. As tensões aumentaram em 2018, quando manifestações contra o governo foram violentamente reprimidas, resultando em centenas de mortes e na prisão de opositores, incluindo a proeminente adversária Cristiana Chamorro.
A situação política se agravou ainda mais em 2025, quando uma reforma constitucional ampliou os poderes do Executivo e instituiu a figura dos copresidentes, ocupada por Ortega e por sua esposa, Rosario Murillo. Essa mudança também estendeu o mandato presidencial para seis anos.
Em julho de 2026, Ortega anunciou oficialmente o fim da alternância de poder na Nicarágua, consolidando um processo que começou com alterações eleitorais e institucionais, permitindo sua permanência no comando do país.

