Publicado em 26 de julho de 2026 às 12h28
Por Claudio Dantas
A visita de diplomatas americanos ao Brasil, que inclui Riley Barnes e Samuel Samson, foi alvo de controvérsias após o governo Lula insinuar que o objetivo da missão seria descreditar o sistema eletrônico de votação brasileiro. O Departamento de Estado dos EUA se manifestou, classificando as alegações como "mentira sem fundamento" e ressaltou que qualquer insinuação de interferência em uma eleição democrática é infundada.
Os diplomatas tinham uma agenda que incluía reuniões com autoridades, líderes religiosos e a imprensa. No entanto, o Itamaraty negou os vistos solicitados para a entrada dos visitantes. Embora não tenha emitido um comunicado oficial sobre a negativa, o governo brasileiro alimentou a narrativa de que a visita tinha intenções nefastas, com Lula afirmando em um ato público que aqueles que tentarem interferir nas eleições nacionais "vão apanhar muito".
O uso de notícias fabricadas para criar um fato político não é uma tática nova. O governo Lula parece tentar mobilizar sua base, associando Flávio Bolsonaro a uma suposta lealdade a Donald Trump, buscando, assim, obter ganhos eleitorais. No entanto, essa narrativa encontra resistência quando observamos a realidade dos eventos passados.
A tentativa de deslegitimar a visita de diplomatas de um escalão inferior da administração Trump contrasta com a atuação ativa do governo de Joe Biden durante as eleições de 2022. Em julho daquele ano, Lloyd Austin, então secretário de Defesa dos EUA, esteve em Brasília, onde se reuniu com autoridades militares brasileiras para discutir a importância do controle civil sobre as Forças Armadas e o respeito aos resultados das eleições.
Além disso, Victoria Nuland, na época subsecretária de Estado para Assuntos Políticos, liderou uma delegação que visitou o Itamaraty, onde reiterou a confiança de Washington nas instituições e no sistema eleitoral brasileiros. Essa visita foi uma resposta direta a uma reunião entre Jair Bolsonaro e embaixadores.

