A campanha de Flávio Bolsonaro, candidato pelo PL, entrou em sua fase oficial com duas frentes distintas de ação. De um lado, há um esforço para manter a imagem moderada que foi promovida na pré-campanha, visando conquistar os indecisos e eleitores de centro. Por outro lado, a estratégia também contempla o aumento do tom do discurso, resgatando pautas tradicionais do bolsonarismo e trazendo Jair Bolsonaro de volta ao centro das discussões.
Nos últimos meses, a equipe de campanha de Flávio analisou a necessidade de utilizar a força eleitoral do sobrenome Bolsonaro, ao mesmo tempo em que buscava evitar a rejeição que o ex-presidente enfrenta. A proposta, que ganhou o nome informal de “bolsonarismo light”, reflete um pragmatismo que se distancia do estilo de seus irmãos, priorizando a construção de relações com parlamentares do centro e até da esquerda. Essa habilidade tem sido apresentada como um contraponto à abordagem mais confrontadora de Jair Bolsonaro.
A construção da imagem de “Amigo Flávio” inclui também iniciativas de comunicação diferenciadas. O senador, por exemplo, já apareceu dançando ao som do “Funk do 01” e fez uso de uma linguagem neutra em postagens nas redes sociais. Essas ações, embora tenham gerado reações de setores conservadores, foram abandonadas temporariamente, mas o funk já voltou a ser utilizado em eventos.
Na campanha, a estratégia de se descolar de Jair Bolsonaro levou a uma diminuição ou até à omissão de referências diretas ao ex-presidente. O objetivo era permitir que Flávio formasse sua própria identidade política, alcançando eleitores que não necessariamente se identificam com a figura de Jair. O resultado foi o surgimento do “Amigo Flávio”, que, por um período, evitou até mesmo usar o sobrenome compartilhado com o pai.
Embora parte do eleitorado conservador fosse considerada fiel, existia uma avaliação de que valeria a pena arriscar uma aproximação com jovens e eleitores indecisos. Contudo, o peso político de Jair Bolsonaro sempre foi um fator limitante nessa estratégia. Em um episódio, Flávio pediu desculpas a Michelle Bolsonaro, resultando na retomada de gravações conjuntas para redes sociais e campanha eleitoral.
Atualmente, a campanha mantém a tentativa de conciliar essas duas imagens que surgiram nos últimos meses. O “Amigo Flávio” é utilizado para dialogar com aqueles que não se sentem alinhados ao bolsonarismo tradicional. Por outro lado, o “Filho da Esperança” reforça o papel de herdeiro político escolhido por Jair Bolsonaro, trazendo de volta pautas e discursos direcionados à base conservadora.

