Na noite de 19 de outubro, o presidente Lula, do Partido dos Trabalhadores (PT), recebeu no Palácio da Alvorada o advogado Marco Aurélio Carvalho, que representa seu filho, Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha. Carvalho chegou ao local por volta das 19h15 e o encontro se estendeu por aproximadamente três horas e meia.
A reunião ocorreu em um contexto de investigações conduzidas pela Polícia Federal (PF) que apuram possíveis crimes de tráfico de influência e corrupção envolvendo Lulinha em três inquéritos diferentes. Em razão desse encontro, Lula decidiu cancelar um compromisso previamente agendado no Superior Tribunal de Justiça (STJ). O presidente participaria da posse dos ministros Luis Felipe Salomão e Mauro Luiz Campbell Marques, marcada para as 18h.
Marco Aurélio Carvalho criticou a atuação de uma parte da PF, alegando que a investigação contra Lulinha possui um “viés eleitoral” e denunciou a prática de “vazamentos seletivos” por parte da corporação. As apurações se concentram em atividades que Lulinha teria realizado em favor de interesses ligados ao lobista Antônio Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”.
As investigações se intensificaram recentemente, levando Lulinha a se tornar alvo de três inquéritos no Supremo Tribunal Federal (STF). Dois desses inquéritos estão sob a relatoria do ministro André Mendonça, enquanto o terceiro é conduzido pelo ministro Flávio Dino. Em 30 de julho, Mendonça autorizou a abertura de um inquérito para investigar possíveis práticas de tráfico de influência em negociações relacionadas ao Ministério da Saúde.
No dia seguinte, o ministro também deu seguimento a um segundo inquérito, que investiga se Lulinha favoreceu empresários interessados em firmar contratos com a Dataprev e outros órgãos governamentais. O terceiro inquérito, que envolve a empresa 3Structure It LTDA., especializada em tecnologia e com contratos de R$ 50 milhões com o governo federal, foi autorizado por Dino. Essa empresa é de propriedade de um amigo de Lulinha.