Benedito Gonçalves tem se destacado como um dos membros mais fiéis do regime luloalexandrino ao longo dos anos. Sua trajetória inclui momentos marcantes, como a censura a conservadores durante o último ciclo eleitoral, onde atuou de forma decisiva ao proibir Jair Bolsonaro de utilizar imagens pessoais durante a campanha. Como relator do processo que resultou na inelegibilidade de Bolsonaro, Benedito atendeu às expectativas do regime sob a justificativa de proteger a "democracia".
Um episódio notório ocorreu em 17 de agosto de 2022, na cerimônia de posse de Alexandre de Moraes no Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Benedito foi flagrado em um momento de proximidade com Moraes, recebendo uma série de tapinhas no rosto, enquanto o ministro exclamava: "Tá tudo em casa, tá tudo em casa". Essa cena gerou questionamentos sobre a imparcialidade das decisões do tribunal.
Em dezembro de 2022, durante a diplomação de Lula, Benedito fez uma declaração que se tornou emblemática no contexto do que muitos consideram um golpe judicial. Ele sussurrou a Moraes a frase: "Missão dada é missão cumprida", sem perceber que microfones estavam captando suas palavras. Até o momento, não houve qualquer esclarecimento sobre o significado dessa declaração, que sugere um vínculo estreito entre as decisões judiciais e interesses políticos.
Em janeiro de 2024, um influenciador holandês abordou Felipe Brandão, filho de Benedito, em Amsterdã. O jovem exibia um guarda-roupa ostentoso, incluindo um relógio Richard Mille avaliado em aproximadamente € 200 mil, e outras peças de marcas renomadas, totalizando mais de R$ 1 milhão. O vídeo que registrou essa interação rapidamente se espalhou nas redes sociais. Em resposta, uma juíza do Rio de Janeiro determinou a remoção do conteúdo, alegando que ele visava ridicularizar Felipe e atingir Benedito.
A proteção à família de figuras do poder, como Benedito Gonçalves, contrasta com o rigor da lei aplicado ao cidadão comum. Benedito também se destacou em eventos que favorecem sua posição, como a Conspiração do Uísque Macallan, um encontro patrocinado por um banqueiro que reuniu importantes autoridades contrárias a Bolsonaro. Mensagens obtidas pela Polícia Federal revelaram que Benedito se referia a Daniel Vorcaro, um banqueiro investigado, como "amigo", prometendo estar "sempre à disposição" para colaborar.
Esses episódios evidenciam uma moralidade política que privilegia os altos escalões, enquanto impõe severidade aos cidadãos comuns. A disposição de Benedito para agir contra adversários políticos, ao mesmo tempo em que mantém relações estreitas com aliados e influenciadores, ilustra a complexidade e os desafios da política brasileira contemporânea.