O presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em visita a Nova York, reiterou seu compromisso em negociar com Os Estados Unidos a retirada das altas tarifas impostas sobre produtos brasileiros. Lula, que chegou à cidade no domingo, 20, para participar da Assembleia Geral das Nações Unidas, deixou claro que, se as conversas não avançarem, o Brasil pode tomar medidas em resposta.
Em entrevista à jornalista Christiane Amanpour, da CNN Internacional, Lula mencionou a possibilidade de aplicar a Lei da Reciprocidade, aprovada pelo Congresso Nacional. "Eu não vou ficar chorando pelo leite derramado. Eu vou procurar outros lugares para comprar e vender. É assim que eu faço política. E nós podemos aplicar a Lei da Reciprocidade com Os Estados Unidos. Eu sou muito cauteloso", afirmou o presidente.
Lula ressaltou que enquanto as negociações estiverem em andamento, não há necessidade de acionar a lei, mas enfatizou que, na ausência de um acordo, o Brasil se verá obrigado a utilizar essa ferramenta. A Lei da Reciprocidade permite que o Brasil implemente tarifas semelhantes às que são impostas por outros países.
Atualmente, Os Estados Unidos mantêm uma tarifa de 25% sobre produtos brasileiros, medida que foi instituída em 22 de julho deste ano. Esta ação foi caracterizada pelo governo norte-americano como uma resposta a práticas comerciais consideradas desleais, após investigações que abordaram questões como o Pix, o etanol e o desmatamento na Amazônia.
Além disso, em 24 de julho, o presidente Donald Trump estabeleceu uma sobretaxa de 12,5% em decorrência de uma investigação realizada pelo Escritório do Representante do Comércio dos EUA (USTR) relacionada à importação de produtos fabricados com trabalho forçado. Essa série de tarifas tem gerado tensões nas relações comerciais entre os dois países.
O governo brasileiro apresentou uma queixa formal à Organização Mundial do Comércio (OMC), argumentando que as tarifas aplicadas pelos Estados Unidos vão contra as normas do comércio internacional. O Brasil também questiona a legitimidade das investigações que fundamentam essas tarifas, buscando um diálogo mais construtivo e justo nas relações comerciais.