O Paquistão confirmou na madrugada de 24 de outubro a realização de ataques aéreos contra dez locais no Afeganistão, que, segundo informações de Islamabad, estariam sendo utilizados para o lançamento de drones em direção ao território paquistanês no dia anterior. Essa escalada de tensões entre os dois países levanta preocupações sobre os esforços de mediação internacional na região.
O anúncio foi feito pelo ministro da Informação do Paquistão, Attaullah Tarar, através de uma publicação na rede X. Autoridades do Paquistão relataram que forças do Talibã afegão teriam disparado oito drones e bombardeado postos de controle na fronteira, após tropas paquistanesas terem barrado o que descreveram como uma tentativa de infiltração de militantes.
Até o momento, não houve uma resposta imediata por parte de Cabul às ações recentes, mas na quarta-feira, 23 de outubro, o porta-voz do governo Talibã, Zabihullah Mujahid, negou que forças afegãs tenham realizado qualquer tipo de ataque. Essas versões contraditórias surgem apenas dois dias após os caças paquistaneses terem atingido alvos no leste do Afeganistão, os quais Islamabad alegou serem esconderijos de militantes.
A falta de verificação independente dos relatos aumenta a incerteza sobre a situação. O aumento da violência entre os dois países pode prejudicar as iniciativas de mediação promovidas por países como China, Turquia, Catar e Arábia Saudita, que buscam um entendimento duradouro entre Cabul e Islamabad.
O governo paquistanês tem frequentemente acusado o Talibã de permitir que grupos armados operem a partir do Afeganistão e realizem ataques transfronteiriços, uma acusação que foi negada por Cabul. Tarar afirmou que, ao invés de desmantelar essas redes, o Talibã optou por intensificar o conflito por meio de operações hostis com drones. Ele ainda caracterizou os bombardeios paquistaneses como “deliberados, precisos, calibrados e proporcionais”, limitados a “objetivos militares” relacionados às tentativas de ataque.
Adicionalmente, autoridades paquistanesas relataram que suas forças de segurança conseguiram neutralizar oito drones “rudimentares” antes que entrassem em Kohat, no noroeste, e na cidade fronteiriça de Torkham. Também foram mencionados disparos de morteiros e armas pesadas contra postos paquistaneses, com a correspondente resposta de artilharia contra posições do Talibã. Quatro autoridades que comentaram o caso falaram sob condição de anonimato, pois não estavam autorizadas a divulgar informações sobre a situação.