A eleição de deputados estaduais no Brasil não se resume a quem recebe a maior quantidade de votos individualmente. Diferente das eleições para cargos executivos, como governador ou prefeito, a disputa legislativa se fundamenta na lógica coletiva. O voto na urna não é de propriedade exclusiva do candidato, mas sim do partido político ou federação que ele representa. Dessa forma, a obtenção de uma vaga nas Assembleias Legislativas está diretamente ligada ao desempenho geral da legenda, o que transforma o pleito em um cálculo matemático que reflete o equilíbrio das forças políticas em cada estado.
O sistema proporcional adotado no Brasil para a escolha de deputados estaduais, federais e vereadores não é apenas uma formalidade, mas uma escolha histórica que visa assegurar a diversidade de ideias no parlamento. Se o país utilizasse um sistema majoritário puro — onde o vencedor leva tudo, como acontece nas eleições para o Executivo e para o Senado — as minorias políticas enfrentariam grandes dificuldades para eleger seus representantes. A lógica do sistema proporcional busca criar uma representação fiel da sociedade nas Casas Legislativas.
Esse modelo foi concebido para fortalecer os partidos políticos, fundamentando-se na premissa de que o eleitor vota em um conjunto de propostas ideológicas, e não apenas em um candidato isolado. Desde a Nova República, o sistema tem passado por várias modificações para corrigir distorções, como a fragmentação excessiva do parlamento e a formação de legendas de aluguel.
Nos últimos anos, as reformas eleitorais têm buscado equilibrar a representatividade das minorias com a necessidade de assegurar a governabilidade do Poder Executivo. Essas reformas criaram filtros mais rigorosos para que um partido tenha acesso a recursos públicos e tempo de propaganda, além de exigir um desempenho real nas urnas para que possam concorrer efetivamente.
Para entender a distribuição de cadeiras nas Assembleias Legislativas, é essencial compreender o quociente eleitoral. A legislação eleitoral determina que as cadeiras sejam preenchidas pelos candidatos que obtiveram as maiores votações nominais, adotando temporariamente a lógica do sistema majoritário, para evitar que o Poder Legislativo fique sem representantes eleitos.
Os eleitores podem contribuir diretamente para a eleição de seus candidatos no sistema proporcional digitando o número completo do candidato na urna eletrônica. Se não tiver um nome específico em mente, é possível optar por votar apenas nos dois primeiros dígitos do número, o que representa um voto de legenda. Ambas as formas de votação aumentam as chances de a sigla conquistar um número maior de cadeiras no parlamento.