Uma campanha organizada na Rússia utilizou a ferramenta de inteligência artificial ChatGPT para criar conteúdos que tinham como objetivo prejudicar a imagem da Ucrânia na América Latina. A informação foi divulgada pela OpenAI, a empresa responsável pela ferramenta, que anunciou ter bloqueado contas associadas ao grupo responsável pela operação.
De acordo com o relatório da OpenAI, publicado nesta quinta-feira, 8, o grupo mantinha um centro de estudos disfarçado na América Latina, denominado Social Research Center. Este centro produzia conteúdos relacionados a assuntos internacionais, e as evidências sugerem que, apesar de sua participação, os funcionários na região não estavam cientes de que trabalhavam para uma organização russa. Os operadores da campanha utilizavam o ChatGPT para a elaboração de relatórios internos, bem como para auxiliar na criação de conteúdos e na avaliação do desempenho do centro de estudos.
A OpenAI classificou esta operação como a tentativa mais complexa de criação de uma identidade falsa que foi identificada e interrompida nos últimos dois anos e meio. Além de afetar a imagem da Ucrânia, as atividades do grupo também buscavam influenciar a política local na América Latina. Os operadores utilizavam a inteligência artificial para apoiar publicações e comentários nas redes sociais, enquanto o centro de estudos conferia uma aparência legítima às mensagens.
Entre as táticas utilizadas, o grupo criava documentos falsos que eram apresentados como material “vazado”, além de roteiros de áudio. Alguns desses conteúdos foram detectados circulando na internet. Contudo, a OpenAI alertou que as alegações de sucesso feitas pelos operadores devem ser analisadas com cautela, uma vez que parte dos relatórios internos atribuía ao grupo atividades que não estavam diretamente relacionadas à operação.
O relatório também trouxe à tona o bloqueio de uma outra operação com origem no Irã, que utilizava identidades fictícias de jornalistas para oferecer artigos a veículos de comunicação. Este grupo utilizava sete perfis que se apresentavam como profissionais de países ocidentais, incluindo os Estados Unidos, e cerca de cem textos foram publicados ou republicados sob essas assinaturas em aproximadamente uma dúzia de veículos digitais.
As publicações tratavam, em sua maioria, de assuntos internacionais, geopolítica e acontecimentos no Oriente Médio, com a frequência das publicações aumentando após o início do conflito entre os EUA e o Irã. Um dos perfis identificados usava o nome Ervin B. Hoskins e se apresentava como um escritor freelancer norte-americano, mas informações de transparência das redes sociais associavam suas contas ao Irã.