O Paraguai enfrentou uma das semanas mais críticas em décadas com a liquidação do Ueno Bank. A reação do governo e da oposição foi rápida: em poucas horas, foi coordenado um pacote de leis para acelerar a devolução do dinheiro aos poupadores. A nova legislação exige que o processo comece em 24 horas e seja concluído em no máximo cinco dias.
O Banco Central paraguaio teve pela frente uma tarefa inédita na região: garantir que 98% dos ex-clientes do banco recebessem seus recursos de volta em poucos dias. Para isso, foi necessário abrir quase dois milhões de novas contas e estruturar uma base de dados para que três milhões de clientes pudessem consultar informações ou acompanhar os pagamentos. O percentual de 98% foi alcançado, e outros 95% dos casos foram resolvidos dentro do prazo estipulado.
A crise gerou filas e rumores falsos de corrida bancária, com aplicativos falhando devido ao acesso simultâneo de dezenas de milhares de usuários. Apesar do transtorno, a população manteve a calma, segundo o relato, e o sistema financeiro foi preservado. O episódio foi comparado a uma eventual queda do Nubank no Brasil ou do Mercado Pago na Argentina, mas com proporções populacionais distintas: enquanto no Paraguai se falou em devolver dinheiro a três milhões de contas, no Brasil seriam 95 milhões de poupadores.
Com o sistema estabilizado, a prioridade passou a ser a responsabilização do ex-presidente Santiago Peña, cuja imputação e detenção foram solicitadas pela pressão popular e posteriormente logradas. O texto defende que a condenação e a prisão do ex-mandatário sirvam de exemplo para que casos de corrupção não terminem em impunidade, como ocorreu na crise dos anos 90 no país e em outros episódios da América Latina e dos Estados Unidos, incluindo a crise de 2008.
Ainda segundo a avaliação, o Paraguai sofreu dano à reputação, mas respondeu de forma exemplar, com instituições que ouviram o clamor da sociedade e capacidade de consenso político em momentos difíceis. O país já atravessou crises mais graves e saiu fortalecido, e esta não seria a exceção.