A tecnologia mudou, mas o respeito ao outro não

Quando lembramos de tempos muitas vezes rotulados como “antigos”, percebemos quantas diferenças existem em relação aos dias.

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Quando lembramos de tempos muitas vezes rotulados como “antigos”, percebemos quantas diferenças existem em relação aos dias atuais. Costumes, formas de relacionamento e de comunicação, dentre outras, foram se transformando ao longo do tempo, mas, sem dúvida, uma das grandes mudanças veio com o surgimento da internet. A internet, apesar de relativamente recente, provocou uma revolução profunda em nossa maneira de viver.

A tecnologia trouxe agilidade e novas possibilidades de contato. Mas será que refletimos sobre como esses hábitos interferem na convivência com quem está perto?

Uma atitude tem me chamado a atenção nas últimas semanas: a naturalidade com que algumas pessoas ouvem áudios recebidos por aplicativos de mensagens, como o WhatsApp, em volume alto e em locais públicos, sem qualquer preocupação com o entorno ou com quem está ao seu lado.

Não raro, vejo pessoas ouvindo áudios com som alto, em filas, no transporte público e até em restaurantes, enquanto aguardam atendimento. Às vezes, o conteúdo é longo: a pessoa escuta, grava uma resposta, ouve outro áudio e continua a conversa como se estivesse sozinha, criando uma espécie de “bolha” em meio a todos. Enquanto isso, quem está por perto acaba ouvindo uma conversa que não lhe diz respeito, e muitas vezes nem consegue disfarçar o incômodo.

É claro que os hábitos mudam e que novas situações pedem novas orientações de etiqueta. Nesse caso, a recomendação é simples: mensagens de áudio são pessoais e devem ser ouvidas individualmente, de preferência com fones de ouvido ou em um local onde não se incomode ninguém. Se não for possível, talvez seja melhor esperar um momento mais adequado.

Não se trata de julgar as pessoas, mas de reconhecer que os espaços públicos são compartilhados e que a liberdade de cada um precisa considerar o conforto de quem está ao redor. O fato de a tecnologia permitir determinada ação não significa que ela seja apropriada em qualquer lugar.

Sempre digo que etiqueta é, acima de tudo, bom senso. E ele se revela nas pequenas escolhas: perceber o ambiente, respeitar o espaço alheio e entender que nem todos precisam participar, ainda que involuntariamente, de uma conversa particular. A modernidade muda as ferramentas, mas não elimina a responsabilidade de convivermos bem.

Em tempos de internet e de mensagens que parecem exigir atenção imediata, vale fazer uma pausa e olhar ao redor. Antes de apertar o botão de reprodução, podemos nos perguntar se aquele é mesmo o lugar adequado. Afinal, estar conectado com quem está distante não deveria significar desconectar-se de quem está ao nosso lado.

A verdadeira etiqueta não acompanha apenas as novidades: ela nos lembra que tecnologia alguma substitui o respeito. E conviver bem começa quando entendemos que o espaço é compartilhado, e que o nosso direito de falar não pode se sobrepor ao direito do outro de estar em paz.

Mônica Cecilio – @magiadamesa

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