O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça apresentou uma defesa contundente em relação a um HD criptografado que contém dados do celular de Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master. Em comunicação ao presidente do STF, Edson Fachin, Mendonça afirmou que o dispositivo permanece lacrado desde sua chegada ao gabinete e nunca foi acessado. Essa declaração surgiu em resposta às acusações feitas por Alexandre de Moraes, que sugeriu que Mendonça teria tido acesso antecipado às informações, comprometendo a cadeia de custódia das provas.
De acordo com Mendonça, a Polícia Federal (PF) confirmou à Presidência do STF que o HD, que ainda está sob a custódia da corporação, mantém todos os lacres intactos e os mecanismos necessários para verificar a integridade dos arquivos. O ministro argumentou que essa informação refuta a alegação de Moraes e isenta sua atuação de qualquer dúvida sobre imparcialidade ou manipulação de dados.
Mendonça classificou como "cabal e categoricamente falsa" a afirmação de Moraes sobre o acesso ao acervo bruto das investigações. Ele destacou que essa premissa errônea destoa completamente das imputações dirigidas a ele. "Não há que sequer cogitar de eventual quebra de imparcialidade por este Ministro relator", afirmou, enfatizando que as acusações se baseiam em alegações infundadas.
O HD foi entregue ao gabinete de Mendonça por iniciativa do coordenador de Inquéritos nos Tribunais Superiores da PF, conforme um ofício que detalha a entrega e identifica o dispositivo pelo número B0003311945. O ministro reiterou que o HD, recebido em estado criptografado, nunca foi acessado e colocou o material à disposição da Presidência do Supremo para análise, o que poderia comprovar a preservação do lacre.
Além de refutar as acusações de acesso antecipado, Mendonça também negou ter direcionado politicamente o relatório da PF sobre Moraes. Ele esclareceu que seu pedido à corporação se limitou à solicitação de informações atualizadas sobre uma hipótese criminal já em investigação.
Na sua manifestação a Fachin, Mendonça sublinhou que o relatório da PF reconhece que o recorte de informações analisadas se baseou nas mensagens incluídas na informação policial, não em escolhas pessoais sobre os nomes. O documento também menciona que a ausência de um nome específico em um conjunto de documentos não constitui uma ação deliberada do relator.