O governo da Argentina manifestou, nesta terça-feira, 5, seu descontentamento com a decisão do governo brasileiro de rebaixar as relações diplomáticas entre os dois países. A Chancelaria argentina lamentou a medida anunciada pelo Itamaraty, que dispensou o embaixador Guillermo Daniel Raimondi e anunciou que a comunicação será mantida apenas com o encarregado de negócios da embaixada argentina em Brasília.
Em um comunicado oficial, o governo do presidente Javier Milei afirmou que a decisão do Brasil é motivada por questões políticas. "A República Argentina toma nota da decisão adotada unilateralmente pelo Governo da República Federativa do Brasil e lamenta a sua decisão de continuar isolando-se do restante da região por questões puramente ideológicas", expressou a nota.
O texto da Chancelaria ressalta que divergências políticas não deveriam resultar em sanções diplomáticas. "Nos últimos anos, houve diversos episódios de expressões e apoios políticos mútuos entre líderes de ambos os países", destacou o governo argentino.
Em sua declaração, a Argentina reafirmou que nunca respondeu a diferenças políticas com ações institucionais, reiterando que esse critério se mantém. A nota conclui com uma defesa da política externa do país, afirmando que as relações entre Estados devem ser guiadas pelos interesses permanentes de seus povos e não pelas necessidades pessoais dos governantes.
A tensão nas relações entre Brasil e Argentina se intensificou após declarações de Javier Milei durante o lançamento da candidatura presidencial de Flávio Bolsonaro (PL) em São Paulo. Na ocasião, Milei chamou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva de "ladrão" e "presidiário", além de se referir ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, como "lixo careca".
Como resposta, Lula criticou Milei, chamando-o de "coisa" e descrevendo suas declarações como "papagaiada". O presidente brasileiro convocou o embaixador Guillermo Daniel Raimondi para prestar esclarecimentos e determinou o retorno do embaixador brasileiro em Buenos Aires, Júlio Glinternick Bitelli, a Brasília.

