Ataque hacker à Binance desvia US$ 6 bilhões em criptomoedas; Coreia do Norte é suspeita

Empresas de rastreamento apontam unidade norte-coreana como responsável pelo maior roubo de criptomoedas já registrado; Binance cobrirá.
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A Binance, maior corretora de criptomoedas do mundo, sofreu nesta quinta-feira, 29, o maior ataque hacker já registrado no setor, com o desvio de mais de US$ 6 bilhões em ativos digitais. Até a noite de quinta-feira, no horário dos Estados Unidos, empresas do setor haviam congelado cerca de US$ 3 bilhões do total roubado. As companhias trabalham para localizar e bloquear o restante antes que os invasores consigam movimentar os recursos.

Segundo investigação preliminar da própria Binance, o ataque partiu do computador portátil de um engenheiro da empresa. A falha teria dado ao invasor acesso a um contêiner de serviço, ambiente isolado onde rodam sistemas internos, e permitido o envio de transações de saque não autorizadas. A corretora afirmou que cobrirá todas as perdas com recursos próprios e com um fundo emergencial. "Os fundos dos usuários estão seguros", informou a empresa, que suspendeu temporariamente depósitos e saques, revogou a autorização do endereço afetado e acionou a polícia e parceiros de inteligência em blockchain.

O volume roubado surpreendeu o mercado. "É o maior ataque hacker da história", disse à agência Reuters Aravind Srinivasan, chefe de operações de balcão da GSR, uma das principais formadoras de mercado de criptomoedas. A TRM Labs atribuiu o roubo a uma unidade de elite de hackers norte-coreanos, com base em informações obtidas dentro e fora da blockchain. A Pangolin Intelligence, com sede em Cingapura, chegou à mesma conclusão a partir da comparação com incidentes anteriores ligados ao grupo. "Acho que o jogo de gato e rato mal começou", disse à CNN um analista da Pangolin, que pediu anonimato. Para ele, a Coreia do Norte deve recorrer a uma rede de lavagem de dinheiro para converter os valores em moeda corrente. A Chainalysis informou que acompanha os recursos roubados, que circulam por diversas redes, entre elas as do Bitcoin e do Ethereum, e um porta-voz disse à CNN haver "alto grau de confiança" na autoria norte-coreana.

Procurada pela CNN, a missão da Coreia do Norte na ONU não se manifestou. O regime já negou acusações semelhantes no passado. A emissora também pediu posicionamento ao FBI e ao Serviço Secreto dos Estados Unidos, que investiga crimes cibernéticos. O recorde anterior também foi atribuído a hackers norte-coreanos, acusados de desviar US$ 1,5 bilhão da corretora Bybit em poucos minutos. De acordo com autoridades americanas e sul-coreanas, os ataques cibernéticos são uma fonte importante de receita para o regime, que tem armas nucleares e sofre sanções internacionais. Relatórios da ONU e de empresas privadas indicam que grupos ligados a Pyongyang roubaram bilhões de dólares de bancos e corretoras nos últimos anos.

Diferentemente das plataformas de ações, as corretoras de criptomoedas costumam guardar os ativos em nome dos clientes, o que as torna mais vulneráveis a roubos, sobretudo num setor novo e com pouca supervisão regulatória. A Binance foi fundada em 2017 pelo canadense Changpeng Zhao e se tornou a maior plataforma do segmento em menos de um ano. Zhao deixou o comando da empresa em 2023, quando se declarou culpado de violar leis americanas contra lavagem de dinheiro. Condenado a quatro meses de prisão federal, o empresário recebeu perdão do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, em outubro de 2025. Zhao continua como maior acionista da corretora e afirmou na rede social X esperar que a empresa reembolse integralmente os usuários. O Bitcoin e o Ether caíram com a notícia do ataque, mas recuperaram parte das perdas. Na tarde desta sexta-feira, 30, no horário de Hong Kong, as duas moedas recuavam entre 2% e 3%.

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