Em junho de 2026, a dívida bruta do setor público brasileiro atingiu R$ 10,8 trilhões, o que corresponde a 81,9% do Produto Interno Bruto (PIB). Este patamar é o mais elevado desde abril de 2021, no contexto da pandemia de Covid-19, e se aproxima do recorde histórico de 87,6% do PIB, registrado em outubro de 2020.
Desde o início do terceiro mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em janeiro de 2023, a dívida pública subiu 10,2 pontos percentuais. Ao final do governo do ex-presidente Jair Bolsonaro, em dezembro de 2022, esse indicador estava em 71,7% do PIB.
Projeções de mercado indicam que o terceiro mandato de Lula deverá encerrar com um déficit nominal médio de 8,6% do PIB, o que representa o maior valor entre os governos federais das últimas duas décadas, superando os déficits registrados durante os mandatos de Dilma Rousseff e Jair Bolsonaro. O déficit nominal se refere à diferença entre as receitas e despesas do setor público, incluindo o pagamento de juros da dívida.
Dados do Banco Central apontam que o déficit nominal acumulado em 12 meses até junho de 2023 já havia alcançado 9,99% do PIB. A Instituição Fiscal Independente (IFI), órgão vinculado ao Senado, estima que a dívida bruta pode fechar 2026 em 82,5% do PIB, com uma trajetória que pode levar esse indicador a 100% do PIB em 2032 e a 115% em 2036.
Esse cenário é atribuído a três fatores principais: o crescimento moderado do PIB, as taxas de juros elevadas e a falta de poupança pública. O Brasil deve completar, em 2026, 13 anos consecutivos de déficit primário. Um déficit nominal próximo de 10% do PIB é considerado elevado mesmo pelos padrões históricos do país, embora tenha sido ressaltado que esse resultado foi impactado pela antecipação do pagamento de precatórios, o que elevou temporariamente as despesas do governo.
As medidas de ajuste fiscal que hoje são vistas como inviáveis já foram implementadas em administrações anteriores, incluindo o ajuste promovido por Joaquim Levy em 2015, o teto de gastos estabelecido durante o governo de Michel Temer e as reformas tributárias realizadas pelo ministro da Fazenda, Fernando Haddad.

