O Brasil se destaca negativamente entre as dez maiores economias emergentes, apresentando a pior trajetória da dívida pública. A análise do economista Marcos Troyjo, ex-presidente do Banco dos Brics, indica que o país é o único do grupo que experimenta uma "alta significativa" na relação entre a dívida e o Produto Interno Bruto (PIB), de acordo com dados do Fundo Monetário Internacional (FMI).
Enquanto outras economias emergentes, como Polônia e Índia, exibem estabilidade ou até redução na dívida, o Brasil enfrenta um cenário de deterioração. A trajetória da dívida brasileira, que havia recuado após alcançar 86,9% do PIB em 2020, voltou a subir em 2023, com a Dívida Bruta do Governo Geral (DBGG) atingindo 81,9% do PIB em junho de 2026, um aumento superior a 10 pontos percentuais em relação ao final de 2022.
Troyjo aponta que três fatores principais pressionam essa situação: o tamanho da dívida em relação ao PIB, o custo de financiamento dos compromissos públicos e o peso dos juros nas contas do governo. Essa combinação resulta em um cenário preocupante, onde o elevado endividamento e os altos custos de financiamento comprometem o espaço do orçamento para investimentos e outras despesas.
A trajetória da dívida brasileira indica que o índice deve continuar a aumentar nos próximos anos, impulsionado por déficits nominais elevados e pelo custo do serviço da dívida. A comparação com outras economias emergentes revela que o Brasil enfrenta desafios únicos, com o custo de carregamento da dívida exacerbando os riscos fiscais.
Para reverter essa situação, uma mudança na trajetória da dívida exige uma sinalização política clara de compromisso com o controle das despesas e a reforma do Estado. Troyjo ressalta que a percepção dos investidores sobre a economia pode ser influenciada por essa sinalização, que pode permitir uma correção gradual da situação fiscal, evitando medidas drásticas. Sem essa sinalização, a pressão sobre os juros e a atividade econômica pode aumentar, dificultando ainda mais a recuperação.
Nesse contexto, o Brasil se coloca em uma posição distinta em relação a outras economias emergentes, onde muitos países apresentam estabilidade ou redução na relação dívida/PIB, enquanto o indicador brasileiro continua a mostrar uma trajetória de alta.

