Brasil firma acordo de R$ 1,2 bilhão com empresas chinesas para impulsionar IA

O Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação estabelece parceria de R$ 1,276 bilhão com Huawei e iFlytek.
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O Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) anunciou a formalização de uma parceria no valor de R$ 1,276 bilhão com as empresas chinesas Huawei e iFlytek. Este acordo, com duração prevista de cinco anos, terá início em julho de 2027 e tem como objetivo a construção de uma infraestrutura de supercomputação no Rio de Janeiro, sob a execução da Rede Nacional de Ensino e Pesquisa (RNP). Uma das metas centrais do projeto é o desenvolvimento de um modelo de linguagem em português que o governo classifica como "soberano".

A escolha por essas empresas levanta questões, especialmente considerando que o discurso oficial do governo busca diminuir a dependência de provedores estrangeiros. No entanto, a realidade demonstra que a administração já estabeleceu uma das mais significativas colaborações estratégicas em seu plano de inteligência artificial com empresas que fornecem tanto hardware quanto software, sendo que uma delas é conhecida por seu envolvimento em tecnologias de vigilância utilizadas pelo governo chinês.

Conforme informações divulgadas, a parceria com Huawei e iFlytek visa não apenas expandir a capacidade de processamento do Brasil, mas também criar uma "pilha de software soberana", utilizando máquinas fornecidas pelas empresas chinesas. O contrato também inclui a capacitação de 3 mil brasileiros nos próximos cinco anos, funcionando como uma contrapartida do acordo.

Durante uma reunião pré-anúncio com jornalistas, um representante do governo confirmou que os desenvolvimentos ocorrerão com base em máquinas da Huawei, além de admitir que ainda não houve diálogo com as grandes empresas de tecnologia dos Estados Unidos. Essa situação gera um questionamento sobre a postura do governo em relação às big techs, embora tenha sido afirmado que não há fechamento de portas para empresas de outros países.

A Huawei é uma empresa já conhecida no Brasil, especialmente por ser alvo de discussões sobre segurança em redes 5G desde a gestão anterior. A iFlytek, por outro lado, tem um histórico mais controverso, tendo sido incluída em outubro de 2019 na "Entity List" do Departamento de Comércio dos Estados Unidos, o que restringe seu acesso a tecnologias americanas.

Outro aspecto que ainda precisa de clareza é a falta de informações sobre os critérios que levaram à seleção da Huawei e da iFlytek para esta parceria de R$ 1,276 bilhão. Não foi especificado se o histórico da iFlytek na Entity List foi considerado na avaliação de risco do projeto. Também não há informações sobre o acesso que as empresas chinesas terão aos dados processados na nova infraestrutura no Rio de Janeiro, nem sobre as medidas de segurança e auditoria que serão implementadas no acordo.

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