A Suprema Corte dos Estados Unidos decidiu, com uma votação de cinco a quatro, manter a validade das leis estaduais que possibilitam a contagem de cédulas enviadas pelo correio e recebidas após a data da eleição, desde que tenham sido postadas dentro do prazo estabelecido. A decisão foi anunciada na segunda-feira, dia 29, e representa uma derrota significativa para o Comitê Nacional Republicano, que pleiteava a anulação dessa regra.
A ministra Amy Coney Barrett, indicada por Donald Trump em 2020, foi a responsável por redigir o voto que favoreceu a continuidade da prática. O presidente da Corte, John Roberts, juntamente com outros três ministros considerados liberais, também apoiou a decisão, que teve origem em uma questão levantada no Mississippi. Neste estado, as cédulas podem ser aceitas até cinco dias úteis após a eleição.
A maioria dos juízes entendia que a legislação federal apenas exige que o eleitor vote até a data da eleição, sem estipular um prazo específico para que as cédulas sejam entregues às autoridades eleitorais. Nos Estados Unidos, cada estado tem autonomia para definir suas regras eleitorais, e alguns permitem que o voto seja realizado pelo correio. Enquanto Alguns Estados requerem que as cédulas sejam recebidas até o dia da eleição, outros aceitam votos que chegam nos dias subsequentes, desde que tenham sido postados a tempo.
A ação do Partido Republicano, que buscava eliminar esse período de tolerância, argumentava que a legislação federal determina um único dia para a realização das eleições, o que implicaria que todos os votos deveriam ser recebidos até essa data. No entanto, essa interpretação foi rejeitada pela maioria da Suprema Corte.
A decisão gerou reações imediatas entre líderes conservadores, que criticaram a postura de Amy Coney Barrett por ter se alinhado aos ministros de orientação liberal. O senador republicano Eric Schmitt descreveu o voto como uma "opinião chocantemente equivocada", afirmando que a decisão compromete a integridade do processo eleitoral.
Donald Trump também se manifestou contra o resultado, qualificando-o como uma "tremenda derrota" em suas redes sociais. O presidente ainda fez um apelo ao Senado para a aprovação do Save America Act, que visa proibir o voto pelo correio, exceto em situações específicas como doença ou deslocamento militar, e impõe a exigência de documentos oficiais com foto e comprovação de cidadania para o registro eleitoral.

